Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

balanço

Ouro é o investimento com melhor retorno no 1º semestre. Bolsa, o pior

Agronegócio se queixa de declarações de Araújo

Associações do setor citam, em carta à FPA, aula de chanceler onde ele disse que País não vai vender ‘alma à China’

Camila Turtelli e Letícia Pakulski, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2019 | 22h18

SÃO PAULO E BRASÍLIA - O setor agropecuário manifestou, em carta obtida pelo Estadão/Broadcast, preocupação quanto às declarações do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a relação do Brasil com a China. A carta foi enviada por associações que integram o Instituto Pensar Agro como sugestão para a presidência da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O presidente da FPA, Alceu Moreira, decidiu não entregar a manifestação, depois de encontros com o governo e, principalmente, após a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciar uma missão para a China.

“A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) gostaria de externar a sua preocupação em relação às supostas declarações reproduzidas pelo noticiário nacional, nas quais teriam sido feitas afirmações no sentido de diminuir a importância das relações comerciais entre Brasil e China”, diz a carta. Em aula magna para os alunos do Instituto Rio Branco, na semana passada, o ministro falou, entre outros tópicos, sobre a relação diplomática com a China. “Queremos vender, por exemplo, soja e minério de ferro, mas nós não vamos vender a nossa alma. Isso é um princípio claro que temos muito presente”, disse.

“Muita gente quer que nós vendamos a nossa alma e muita gente não acha que tenhamos nenhuma alma para vender. E querem reduzir a nossa política externa a simplesmente uma questão comercial. Isso não vai acontecer.”

A carta destaca que a China se tornou o principal parceiro comercial do País desde 2009. “O desenvolvimento da economia chinesa tem elevado as demandas dos produtos agrícolas brasileiros”, diz a carta, ressaltando que o Brasil tem superávit de US$ 32 bilhões com os chineses e que os produtos mais exportados aos chineses são soja, celulose, carne bovina, frango, açúcar e algodão.

Visita

Por meio de sua assessoria, a presidência da FPA informou que Moreira fará uma visita oficial ao chanceler para apresentar a pauta do agronegócio. A reunião ainda não tem data, mas deve ocorrer após a visita oficial aos EUA. Moreira já teve reuniões com a ministra da Agricultura e com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A carta assinala ainda que “o estabelecimento de uma agenda pautada no pragmatismo econômico é o único caminho possível para quem vislumbra o crescimento econômico de uma Nação”. “Reiteramos nossa confiança em vossa capacidade para trilhar esse caminho, com a sensibilidade de que o agronegócio brasileiro não pode abrir mão de seus principais parceiros estratégicos, com quem mantém próxima relação comercial”, aponta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.