Jonne Roriz/Estadão
Jonne Roriz/Estadão

Agronegócio trava acordo para novas tabelas

Ministro dos Transportes afirma que, de cinco tipos de carga, só não há acerto para a tabela do frete de graneleiros

Lu Aiko Otta e André Borges, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 04h01

As discussões para a edição de uma nova tabela de preço mínimo do frete rodoviário empacaram na resistência do agronegócio, disse nesta terça-feira, 12, ao Estado o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro. Segundo ele, das cinco tabelas em elaboração pelo governo, uma para cada tipo de carga, a única sobre a qual não havia entendimento era a dos graneleiros (mercadorias a granel).

+ Empresas tentam derrubar tabela do frete na Justiça

Casimiro acompanha de perto as tentativas de acordo entre os produtores rurais e caminhoneiros, que buscam formas de romper o impasse. Na terça pela manhã, ele esperava que fosse fechado um acordo ao longo do dia, mas não foi o que ocorreu.

“Não foi deliberado nada ainda”, afirmou o coordenador executivo do Movimento Pró Logística da Associação de Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja), Edeon Vaz Ferreira, representante de um grupo de empresas que precisa dos serviços do transporte de carga a granel. Segundo ele, apesar da resistência, os caminhoneiros têm discutido alternativas ao tabelamento que buscam manter os rendimentos da categoria. “Os caminhoneiros têm problemas de renda, principalmente na entressafra.” 

+ Cargas do Nordeste são as mais afetadas por tabela de fretes

As discussões sobre um mecanismo substituto ao preço mínimo, porém, são embrionárias. A fixação do preço não é aceita pelo agronegócio. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse ser “pessoalmente” contra o tabelamento. Mas, como integrante do governo, não lhe cumpre discutir a medida.

+ Indústria de bebidas pressiona Planalto a retomar incentivo na Zona Franca

O impasse no preço do frete fez travar o transporte de carga no País, segundo mostrou o Estado em sua edição de segunda-feira, 12. Casimiro admitiu que há problemas localizados. “Mas o transporte está ocorrendo”, afirmou. “Não é o caos, mas também não é a normalidade.”

Em contraste, Blairo traçou um retrato dramático. Segundo ele, os frigoríficos não conseguem trazer as mercadorias para os portos. As exportadoras estão 11 dias atrasadas com as exportações que deveriam ser transferidas para os portos. “São 450 mil toneladas de produtos por dia. Temos mais de 60 navios parados. É necessário se chegar a um acordo.”

Ele disse não saber quando será superado o impasse e comentou que o grande número de representantes dos caminhoneiros é uma dificuldade no processo de negociação.

“O escoamento tem de ocorrer, senão a gente vai chegar numa situação muito grave de ter soja na mão de produtor, de produtor estar colhendo milho e não ter onde armazenar e também de os armazéns das empresas estarem cheios”, disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar. Segundo ele, para honrar seus contratos, os exportadores estão recorrendo à soja argentina.

Mais conteúdo sobre:
transporte de carga greve caminhoneiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.