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Agropecuários impulsionam IPA, mas alimentos arrefecem no IPC

IPA passou de 0,76% em janeiro para 1,20% em fevereiro, segundo a Fundação Getúlio Vargas

Marcílio Souza, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2011 | 17h28

Os produtos primários de maneira geral e os agropecuários em particular foram os principais responsáveis pela aceleração do IPA, que passou de 0,76% em janeiro para 1,20% em fevereiro. Desse ganho total de 0,44 ponto porcentual entre um mês e outro, 0,43 ponto porcentual veio das matérias-primas brutas e 0,32 ponto, de itens agropecuários, apontou o coordenador do IGP-M, Salomão Quadros. Entre os destaques, algodão, trigo, milho, bovinos e café.

"O preço médio das matérias-primas brutas agropecuárias, que vem subindo continuamente desde o segundo semestre do ano passado, ficou em fevereiro 19,08% mais alto do que o pico atingido em julho de 2008", observou ele. "As indicações são de que esse movimento ainda pode continuar, por razões de demanda e oferta", explicou. A alta de agropecuários no atacado contrasta com o arrefecimento dos alimentos in natura no varejo. É o caso, por exemplo, da batata-inglesa, que em fevereiro caiu 9,91% no IPC mas subiu 4,91% no IPA. Ou da banana, cuja alta acelerou de 5,39% para 10,60% entre janeiro e fevereiro no IPA, mas passou de 10,25% para 5,93% no IPC.

"Vejo no curto prazo um risco proveniente de alimentos in natura, por causa de um possível impacto do atacado, mas acredito que o grosso dos alimentos processados dará uma segurada. Carne, frango, açúcar e soja, por exemplo, podem continuar em queda ou próximos à estabilidade", disse Quadros. Ele ressaltou, entretanto, que mesmo os alimentos processados poderão sentir um pouco mais à frente o impacto da força das commodities. "O milho pode encarecer as rações e consequentemente o frango, e o trigo pode pesar sobre as massas."

O IPC como um todo arrefeceu de 1,08% em janeiro para 0,67% em fevereiro. "O mês que vem deve trazer novo alívio em Educação, só que menor. Os Transportes deverão assumir esse lugar, desacelerando com mais força, já que neste mês o efeito dos reajustes de transportes coletivos ainda veio forte", apontou Quadros. Entre janeiro e fevereiro, a alta em Educação passou de 2,75% para 1,63%; a variação de Transportes diminuiu de 1,94% para 1,82%.

Por fim, o INCC acelerou levemente entre janeiro e fevereiro, passando de 0,37% para 0,39%. "A taxa praticamente não se alterou entre um mês e outro. O que houve foi uma troca de posições entre seus componentes", disse Quadros. Enquanto materiais e equipamentos aceleraram de 0,22% em janeiro para 0,54% em fevereiro, os serviços passaram de 1,21% para 1,04%. A alta da mão de obra, por sua vez, arrefeceu de 0,32% para 0,12%, mas em 12 meses acumula ganho de 9,49%, superior à variação de 7,46% de todo o INCC no período. "Como quase 50% do INCC é mão de obra e ela pouco deve mudar, por ter comportamento rígido, há pouco espaço para uma desaceleração do INCC este ano. Até pode haver um arrefecimento mais para o final de 2011, mas ele deve ser pequeno", afirmou Quadros.

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