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Agrorecorde

O agronegócio vem obtendo sucesso num ambiente hostil em que outros setores, especialmente a indústria, vêm quebrando a cara; Avança a despeito da política econômica muitas vezes predatória

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2015 | 21h00

Neste ano, a agricultura brasileira deverá ultrapassar um marco histórico. Produzirá mais de 200 milhões de toneladas de grãos, entendidos como tais cereais, leguminosas e oleaginosas.

Há pelo menos 40 anos, o Brasil deixou de ser conhecido apenas pelas suas monoculturas: café e cana. É hoje referência mundial num setor complexo, mais comumente chamado de agronegócio.

Em apenas dez anos, a produção de grãos aumentou 62% e a de cana de açúcar, 66%. Um dos mais notáveis feitos do agronegócio foi ter obtido esse aumento de produção de grãos com um crescimento de apenas 19,2% da área plantada, o que mostra o enorme incremento de produtividade.

Isso aconteceu não somente por meio de incorporação de tecnologias modernas de seleção de sementes, preparo de solo, plantio, armazenamento e processamento. Reflete avanço da mentalidade empresarial no setor, que abrange não apenas empresas, mas também a agricultura familiar.

Crítica recorrente que se faz à política econômica é a de que o Brasil não tirou proveito do último período de bonança, que se estendeu de 2002 a 2012, marcado pelo grande boom das commodities - e não só das agrícolas - graças, principalmente, ao forte movimento de inclusão da população asiática aos mercados de trabalho e de consumo. Isso não vale para o agronegócio. O produtor brasileiro do setor se capitalizou, mecanizou-se, aprendeu a operar tendo como referência o jogo do mercado internacional.

No Brasil, o agronegócio não é regado a subsídios, como acontece na maioria dos países ricos. Se conta com boa oferta de crédito é também porque é merecedor. Vem obtendo sucesso num ambiente hostil em que outros setores, especialmente a indústria, vêm quebrando a cara. Avança a despeito da política econômica muitas vezes predatória. Nos últimos dez anos, por exemplo, o governo sangrou o setor do álcool e do açúcar com sua política de represamento dos preços dos combustíveis. Nada menos que 60 usinas foram fechadas desde 2009, cerca de 70 estão em recuperação judicial e sabe-se lá quantas mal conseguem sobreviver.

Centros de decisão importantes do governo trabalharam contra o uso de sementes geneticamente modificadas (transgênicas) e atrasaram o desenvolvimento da Embrapa nessa área.

O agronegócio se tornou um setor vencedor a despeito da infraestrutura sucateada ou inexistente, que atravanca os corredores de exportação no auge da safra. Enfrenta o alto custo Brasil e segue batendo recordes, apesar do forte período de estiagem que assola várias regiões do País, a mesma que vem servindo de desculpa para lambanças e fiascos da política econômica.

Não se pode ignorar os graves problemas da desigualdade e da fome que ainda persistem no Brasil. Nem os desastres ambientais provocados por manejos irracionais dos recursos naturais, especialmente nas áreas de fronteira agrícola. Mas não dá para ignorar, também, que o sucesso do setor praticamente sepultou os problemas produzidos no passado pelo latifúndio e esvaziou os movimentos de reforma agrária.

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Começar de novo

O primeiro balanço trimestral depois da divulgação dos resultados auditados de 2014 apontou recuperação da Petrobrás. O lucro líquido veio mais alto do que vinha apontando a maioria dos analistas. Disposta a começar de novo, a diretoria quer mostrar agora um melhor desempenho operacional que compense o impacto negativo da desvalorização cambial, do alto endividamento e de um plano de negócios excessivamente dimensionado.

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