AIE alerta para risco de corte de investimentos em petróleo

Segundo Agência Internacional de Energia, revisão de recursos pode prejudicar a oferta futura de energia

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

29 de janeiro de 2009 | 16h43

Cresce a preocupação entre os executivos do setor de petróleo de que a indústria está enfrentando indisposições financeiras mais profundas e problemas futuros na oferta. "Estamos entrando em uma séria situação no setor de petróleo. Companhias de petróleo menores têm sido atingidas pelos problemas de crédito e preços mais baixos e estamos vendo isso agora com grandes companhias", disse Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), em uma entrevista à margem do Fórum Econômico Mundial.   Veja também: Em Davos, Opep teme 'ponto perigoso' do preço do petróleo De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Birol estima que ao redor de US$ 100 bilhões em projetos de perfuração de petróleo e gás natural - a maior parte em nações que não são membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) - foram adiados ou cancelados ao longo do último ano por causa dos problemas financeiras do mundo e fraqueza dos preços do petróleo.   Aquelas revisões podem prejudicar a oferta futura de energia, mas também terão grandes implicações para as companhias de petróleo, grandes e pequenas, e pode levar a problemas no longo prazo para os consumidores se um volume considerável da oferta potencial não for desenvolvida.   No mês passado, a Moody's Investor Service alertou que os adiamentos e cancelamentos dos projetos do Canadá ao Oriente Médio "podem apenas exacerbar a questão da reposição de reservas" que as grande companhias enfrentam.   A capacidade das companhias em encontrar novas e negociáveis descobertas de petróleo para substituir os barris retirados do solo é uma medida fundamental usada pelos investidores para dar valor as companhias e decidir sobre a compra da ação de uma determinada empresa.   Birol e outros analistas temem que outras grandes companhias de petróleo venham a reduzir investimentos durante a atual temporada de balanços, citando como exemplo a ConocoPhillips - terceira maior petróleo dos EUA -, que nesta semana anunciou um corte de 18% nos investimentos para 2009 e a eliminação de 1.300 empregos depois de registrar um prejuízo de US$ 31,76 bilhões no quarto trimestre.   A gigante americana ExxonMobil ainda possui grandes reservas em dinheiro acumuladas nos últimos cinco anos de preços recordes de petróleo e as companhias empregaram bilhões de dólares em novos projetos, alguns deles continuarão a ser desenvolvidos.   Como a ConocoPhllips, a Royal Dutch Shell anunciou nesta quinta um grande prejuízo trimestral, mas ao contrário da companhia americana, a Shell manteve seu programa de investimentos para 2009, um sinal de que a situação pode não estar tão ruim como os especialistas esperavam para os grandes produtores de petróleo.

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