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AIE avalia que petróleo perto de US$ 100 retrai demanda

Segundo relatório mensal da Agência, atenção da mídia sobre o tema aumenta consciência do público

JOÃO CAMINOTO, Agencia Estado

13 de novembro de 2007 | 08h50

Em seu relatório mensal, divulgado nesta terça-feira, 13, a Agência Internacional de Energia (AIE) avalia se o preço do barril do petróleo na marca de US$ 100 representaria um transformação no setor energético. "Psicologicamente, certamente é relevante", disse. "Neste nível, os preços do petróleo estariam próximos de seus picos durante a crise de 1980 em termos ajustados pela inflação." A agência observou que a atenção da mídia sobre o tema está aumentando a consciência do público com os preços elevados e os consumidores, sentindo o aperto nos bolsos, recorreram até a alguns protestos nos países ricos. Autoridades têm manifestado sua preocupação e estão ressaltando a necessidade de se conservar petróleo. A China elevou os preços domésticos dos combustíveis no atacado, enquanto Índia, Malásia e Taipe estão estudando a necessidade de reduzir os subsídios à commodity. Segundo a AIE, o mero fato do barril atingir os US$ 100 pode não causar nenhum dano. "Mas na nossa avaliação, a alta cumulativa de US$ 70 no preço desde 2002 está tendo um efeito cumulativo", disse. A recente alta "dramática" dos preços está tendo um efeito de "choque de curto prazo, enquanto ao mesmo tempo os consumidores parecem estar adaptando seu comportamento" para lidar com essa situação. Mas a AIE ressaltou que essa avaliação não está isenta de riscos. Os preços mais altos afetaram o comportamento dos consumidores finais dos países ricos, mas essa mudança "pode não ser permanente". Além disso, os preços altos podem não afetar substancialmente o consumo nos grandes países emergentes, como a China. Economia mundial Segundo a agência, avaliar se os preços mais elevados vão frear o crescimento econômico mundial é uma questão muito mais difícil de ser respondida. "Os preços do petróleo são apenas um dos vários fatores que determinam a trajetória do crescimento econômico", disse. "Entretanto, sua importância está crescendo."  Nos Estados Unidos, por exemplo, a fatia dos gastos com petróleo das famílias aparentemente subiu para seu maior nível desde meados da década de 80. Por isso, "é razoável supor que "se os preços mais elevados estão afetando o comportamento, então estão tendo um impacto econômico atingindo o gasto do consumidor e corroendo a lucratividade corporativa na margem". Segundo a AIE, esse impacto pode não ser grande, mas poderia ser mais relevante se surgirem outras áreas de fraqueza econômica. Alta sustentável  A agência disse também se difícil se prever se o preço de US$ 100 por barril seria sustentável. "Há certamente numerosos fatores que poderiam jogar os preços para baixo: clima ameno, maior produção da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), melhora na operação das refinarias e crescimento econômico mais fraco", disse. "Entretanto, esses fatores teriam que lutar contra um balanço de mercado global apertado entre a oferta e demanda." Segundo a AIE, verificar se o barril a US$ 100 se transformaria num momento de transformação da mentalidade do consumidor e governos em relação á eficiência energética é um fato mais importante do que seu impacto sobre o crescimento da demanda pela commodity.

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