AIE destaca Campo de Tupi, mas alerta para custos elevados

Em relatório mensal, Agência reduz estimativa para produção brasileira, citando 'gargalos estruturais'

João Caminoto, da Agência Estado,

13 de novembro de 2007 | 12h24

A Agência Internacional de Energia (AIE) destacou a importância da descoberta do campo petrolífero de Tupi, na bacia de Santos, mas alertou que sua exploração deve requerer pesados investimentos e novas perfurações serão necessárias para se avaliar com precisão o tamanho da reserva. Ao mesmo, a Agência cortou entre 25 mil e 30 mil barris diários a sua previsão da produção petrolífera do Brasil para este ano e 2008, alegando "gargalos estruturais" da Petrobras. Em seu relatório mensal, a agência disse que, segundo estimativas, o campo de Tupi contém entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo 85% com API de 28º. "Essa é a maior descoberta já feita no Brasil", disse. "Entretanto, seu desenvolvimento provavelmente terá custo elevado, pois além de estar em águas com profundidade de 2 mil metros ou mais, as perfurações terão que cortar cerca de seis mil metros de sedimento e sal." Segundo a AIE, como as estimativas iniciais da extensão do campo petrolífero foram baseadas em apenas dois poços, mais perfurações prospectivas serão necessárias antes dos "níveis de reserva comprovados e um cronograma de produção realista possam ser desenvolvidos". A agência observou que a "Petrobras já está sugerindo uma produção inicial de 100 mil barris diários no início da próxima década, embora analistas afirmem que o desenvolvimento completo do campo, para 1 milhão de barris diários, possivelmente vai levar muitos anos além disso". A AIE disse que a recente descoberta offshore de reservas de bilhões de barris em Tupi e na China (o campo Jidong Nanpu, na baía Bohai) sugere que "um muito retardado salto na exploração global pode gerar aumentos significativos na oferta fora do Golfo do Oriente Médio". As descobertas no Brasil e China são bem menores do que os campos "gigantes" do Oriente Médio. O campo offshore Safaniyah, na Arábia Saudita, tem uma reserva estimada de 35 bilhões de barris, enquanto o campo onshore Ghawar ainda contém cerca de 70 bilhões de barris. "Entretanto, notícias sugerem que combinados, as duas novas descobertas (Brasil e China) podem gerar uma produção de 1,5 milhão de barris diários até o final da próxima década.  'Gargalos' Com o corte na estimativa da AIE, a produção média diária no Brasil em 2007 deve ser 1,8 milhões de barris, e em 2008 de 2,1 milhões de barris. Segundo a agência, alterações no cronograma e perfil de produção dos campos de Roncador, Golfinho e Espadarte justificam essa previsão mais baixa, "com a estatal produtora Petrobras admitindo que gargalos estruturais estão causando atrasos entre seis meses e um ano para certos projetos".  Entretanto, a AIE salientou que a Petrobras foi capaz de anunciar em meados de outubro que a produção de 30 mil barris diários no campo de Piranema havia sido iniciada um mês antes do que o previsto. O petróleo de Piranema é mais leve do que a maioria do produzido em águas profundas do Brasil, com um API de 44º.

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