AIE liberará 60 mi de barris de petróleo de estoques emergenciais

Notícia, anunciada durante entrevista coletiva em Paris, provocou queda acentuada dos preços dos contratos futuros do petróleo

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

24 de junho de 2011 | 08h43

A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou ontem, 23, que liberará 60 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência para substituir o corte do fornecimento da Líbia. O movimento, anunciado pelo diretor executivo da agência, Nobuo Tanaka, durante entrevista coletiva em Paris, provocou queda acentuada dos preços dos contratos futuros do petróleo.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para agosto fecharam a US$ 91,02 por barril, em queda de US$ 4,39 (4,60%). Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para agosto fecharam a US$ 107,26 por barril, em baixa de US$ 6,95 (6,09%).

A AIE, que representa os países consumidores e é responsável pela coordenação das liberações de emergência dos estoques, disse que irá adicionar 2 milhões de barris de petróleo extras por dia, o equivalente a cerca de 2% da oferta global, ao mercado nos próximos 30 dias.

Cerca de metade dos 60 milhões de barris será liberada pelos EUA, 30% pela Europa e 20% por países asiáticos, conforme reportou o Wall Street Journal. Segundo a AIE, os barris extras deverão chegar ao mercado no fim da próxima semana.

"A economia mundial ainda está emergindo de uma recessão e é essencial que essa recuperação não seja ameaçada por uma escassez de oferta de petróleo", afirmou Tanaka. "A situação está ficando mais e mais apertada", disse o executivo, acrescentando: "temos de agir agora e preencher a lacuna".

A AIE quase nunca se desvia de seu mantra público sobre a necessidade da Opep e outros produtores produzirem mais petróleo para manter o crescimento da economia. Mas Tanaka e outros funcionários da agência soaram uma nota incrivelmente frágil sobre a economia nas últimas semanas.

A surpreendente decisão da AIE ocorre menos de três semanas após a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ser concluída sem um acordo entre os membros da instituição sobre o aumento da produção.

A AIE elogiou posteriormente o movimento unilateral da Arábia Saudita e outros países-membros da organização para aumentar a produção sem o acordo.

Tanaka disse que o desbloqueio de emergência foi adotado para compensar um atraso antes do abastecimento de petróleo da Arábia Saudita chegar ao mercado.

A AIE optou por não liberar o petróleo dos estoques no início deste ano, quando a oferta de 1,5 milhão de barris por dia de petróleo da Líbia foi paralisada pela guerra civil. No entanto, como o conflito no país se arrastou para um impasse, o efeito da perda desses barris tornou-se mais pronunciado, disse a agência.

"O aumento normal sazonal na demanda das refinarias esperado para este verão irá agravar ainda mais o déficit de petróleo. O aperto maior no mercado de petróleo ameaça minar a muito frágil recuperação global econômica", ressaltou a AIE num comunicado. As informações são da Dow Jones.

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