AIE reduz projeção para demanda por petróleo em 3,7%

Agência aponta também fatores que estão prejudicando a oferta, o que pode significar preços mais elevados

Nathália Ferreira, da Agência Estado, e Dow Jones,

29 de junho de 2009 | 09h50

A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu em 3,7% sua previsão de médio prazo para a demanda mundial por petróleo, sugerindo que o impacto da recessão e dos esforços de eficiência de energia poderão manter os preços futuros do petróleo sob controle. A AIE espera que a demanda até 2013 esteja, em média, em 87,90 milhões de barris por dia, 3,3 milhões de barris por dia abaixo da previsão feita em dezembro. A nova projeção representa ainda queda de 7% em relação à estimativa original para 2008-2013, feita em julho passado.

 

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Mas o relatório também enfatiza como o investimento reduzido e outros fatores como a nacionalização de recursos nos últimos meses estão prejudicando a oferta. Isso ainda pode significar preços mais elevados adiante, se o crescimento econômico rapidamente retornar às taxas de mais de 3% vistas globalmente antes da desaceleração. A produção fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deve cair 400 mil barris por dia, liderada por México e Rússia, contra estimativa anterior de aumento de 1,5 milhão de barris por dia.

 

Nenhum observador da indústria tem uma clara visão sobre como serão as tendências para a oferta e a demanda no longo prazo, parcialmente por causa da incerteza sobre o tamanho e o ritmo da recuperação econômica. Com isso em mente, em seu relatório, a AIE mapeia um cenário de crescimento maior e outro, de crescimento menor.

 

Sem incluir 2009, o consumo de petróleo globalmente pode crescer, em média, de 0,5% a 1,4% por ano nos próximos cinco anos, dependendo do crescimento econômico, afirmou a AIE. Isso ainda estaria abaixo da tendência passada. Até o último ano, a demanda mundial por petróleo crescia entre 1,5% e 2% por ano.

 

A forte queda no consumo esperada para este ano, de cerca de 3%, que seria a mais profunda em cerca de 25 anos, representou boa parte da revisão na previsão de demanda para 2008-2013.

 

"Os números (recentes de demanda) estavam um pouco distorcidos pela previsão para este ano. Mas acredito que ninguém tem uma clara ideia sobre qual caminho seguiremos no futuro, então não pedimos desculpas pela abordagem de dois cenários", disse David Fyfe, editor do relatório.

 

Para reforçar a incerteza sobre a demanda, mesmo algumas nações emergentes como a China começam a se tornar mais sérias sobre cortar o desperdício de consumo e implementar medidas tais como padrões mais elevados de quilometragem por litro para os veículos.

 

A China e outros países fora da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico continuarão sendo o motor por trás do crescimento no consumo mundial de petróleo, mas a AIE espera que a demanda fora da OCDE seja cerca de 1 milhão de barris por dia menor até 2013, em relação à projeção anterior.

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