AIEA defende processo coletivo em uso do urânio

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, defendeu no fim da tarde de hoje que o enriquecimento de urânio, matéria-prima da energia nuclear, siga um processo coletivo, com participação e conhecimento de todos os países. Seria uma forma de prevenir o desenvolvimento de novas armas nucleares."Quem domina o ciclo de combustível (urânio) vai ser capaz de construir a bomba sim", afirmou ElBaradei no encerramento do seminário internacional "Energia Nuclear como Alternativa Sustentável? Um diálogo Europa-América Latina", promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), com patrocínio do portal Estadão, do Grupo Estado."Mas propomos que o ciclo do combustível seja coletivo, com conhecimento de todos, que a agência central possa fazer o desenvolvimento do ciclo em vez de cada país", afirmou. De acordo com ele, a Alemanha também defende a idéia de que cada país tenha uma participação no processo, mas sem o domínio do ciclo inteiro.O Brasil já possui conhecimento teórico sobre o enriquecimento do urânio e pretende ter o domínio industrial completo do ciclo, o que não coincide com a idéia proposta pelo diretor da AIEA, ainda que seja para fins exclusivamente pacíficos. "Podemos dizer que temos condições de ter domínio tecnológico completo; temos condições de tomar decisões soberanas, mas há compromisso do País com utilização pacífica", afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.O ministro brasileiro disse que "a meta é de o País chegar a 2030 com de 9 a 13 usinas nucleares em operação e com combustível nuclear inteiramente produzido no País". Antes, ElBaradei afirmou que a AIEA quer também evitar que um país fornecedor de urânio deixe de vender para algum país por motivos políticos. As potências nucleares também estariam entre as participantes do processo de desenvolvimento coletivo do ciclo de urânio, na concepção da agência.

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