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AIG não acata decisão e quer devolver só metade dos bônus

Polêmica avança e Obama quer oficializar autoridade que poderia intervir na decisão da seguradora

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

18 de março de 2009 | 14h37

O CEO da American International Group (AIG), Edward M. Liddy, apresentará nesta quarta-feira, 18, à Comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos uma proposta para a devolução de metade dos US$ 165 milhões, que foram pagos em bônus a executivos da unidade de produtos financeiros da gigante seguradora. De acordo com uma pessoa informada dos planos do executivo, ele deve anunciar a proposta durante sua audiência em uma Comissão da Câmara que investiga os problemas da companhia.

 

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Diante dos protestos diante dos US$ 165 milhões em bônus pagos na semana passada ainda não é claro se os congressistas se darão por satisfeitos com a proposta. Eles ameaçaram taxar e processar a empresa, cujo 80% do capital pertence ao estado após as operações de resgate motivadas pela crise financeira. Ao todo a AIG recebeu US$ 200 bilhões de dinheiro do contribuinte.

 

Os congressistas americanos querem saber os nomes dos executivos da seguradora que receberam os bônus. O presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Barney Frank, do Partido Democrata, disse que pediria a Liddy os nomes dos executivos. Caso a companhia não atenda ao pedido, a AIG será intimada pelo Congresso dos EUA a fornecer a identidade dos executivos, prosseguiu Frank.

 

 

A polêmica com os bônus pagos aos executivos levou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a anunciar que buscará uma autoridade legal sobre o sistema financeiro que dará ao governo federal poder para intervir em questões contratuais. De acordo com Obama, esta autoridade poderia interferir, por exemplo, na decisão da AIG.

 

O presidente disse que falou com o presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Barney Frank, esta manhã, sobre conceder a ele uma "autoridade de resolução" similar ao poder que a Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC) tem sobre as instituições de poupança que regula. Isso permitiria que o governo potencialmente anulasse contratos que puder provar que não atendem ao bem de entidades reguladas, como a AIG.

 

Obama afirmou que precisa do poder regulatório "para permitir que nós proativamente saiamos na frente, para separar questões ruins das boas ao lidar com contratos que possam ser inapropriados".

 

O presidente americano disse ainda que a irritação pública com a questão dos controversos bônus pagos pela AIG é justificável, mas deve ser canalizada para encontrar uma maneira de assegurar que isso não se repita. Em comentários na Casa Branca antes de embarcar para uma viagem a Califórnia, Obama disse que o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, tem seu apoio.

 

Devolução

 

Geithner anunciou na noite de terça-feira, 17, à noite um corte no capital injetado pelo governo à AIG em montante igual ao dos bônus que a seguradora pagou aos empregados de uma divisão que é responsável pela maior parte dos problemas da companhia. O governo americano controla 80% da empresa. Além disso, a administração federal forçaria que a seguradora assumisse um "compromisso de pagamento" ao Tesouro dos US$ 165 milhões, através do fluxo de caixa de suas operações.

 

Em carta à presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, Geithner disse que o Tesouro vai deduzir um montante equivalente - US$ 165 milhões - da última parcela, de US$ 30 bilhões, da ajuda concedida pelo governo à AIG. De acordo com o secretário, o governo também pretende estudar formas de "acelerar" o processo de fechamento das operações da seguradora.

 

Geithner afirmou que o Tesouro começou a trabalhar com o Departamento de Justiça para explorar formas de recuperar o dinheiro do pagamento dos bônus feito aos empregados da divisão de produtos financeiros da AIG, mas que pretende agregar medidas para garantir que os contribuintes sejam compensados pelos recursos irrecuperáveis.

 

A carta é a resposta de Geithner à crescente indignação acerca do pagamento dos bônus a altos funcionários feito na semana passada pela AIG - que recebeu mais de US$ 170 bilhões em ajuda do governo. O secretário disse que compartilha a indignação do presidente Barack Obama, do Congresso e da opinião pública e reiterou a posição do governo de que nada poderia ser feito para impedir os pagamentos.

 

Ele detalhou o processo que levou os advogados do governo a formarem suas opiniões e considerou "injustificada" a raiva que o público tem dirigido contra o executivo-chefe da AIG, Edward Liddy.

 

"Ele herdou uma situação difícil", escreveu Geithner, um dia antes da audiência de Liddy no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, que acontece hoje. O acordo para o pagamento dos bônus foi fechado em abril do ano passado, meses antes que o governo viesse em socorro da companhia, assumindo uma participação de 80%.

 

Alguns congressistas afirmaram ontem que estudam a taxação dos pagamentos com alíquotas muito elevadas, num esforço para recuperar o dinheiro. As informações são da Dow Jones.

 

 

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