MARCIO FERNANDES / ESTADAO / NOPP
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Celso Ming
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Ainda a quarta raiz

No Brasil, não se acentua a importância dos imigrantes; aqui, uma complementação do texto anterior

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2016 | 21h00

A coluna de ontem, 08, (A quarta raiz) procurou mostrar como a imigração foi alijada da gênese da cultura do Brasil, principalmente pelos clássicos que rastrearam as raízes da nossa identidade. Foi uma grave omissão em parte reparada agora pela festa de abertura dos Jogos Olímpicos que explicou o Brasil não só pela contribuição de índios, portugueses e negros, mas também pela dos imigrantes, representados na festa pelos “árabes” (sírios, libaneses, etc.) e pelos japoneses.

Os analistas da formação dos Estados Unidos não se limitam a dar importância aos pais fundadores, peregrinos do Mayflower, dos indígenas e dos negros. Acentuam a importância dos imigrantes italianos, alemães, irlandeses e latinos. No Brasil não acontece a mesma coisa, talvez porque a maior parte desses estudos aconteceu durante as guerras quando italianos, alemães e japoneses eram considerados inimigos.

Alguns comentários feitos por leitores sugerem complementação e algumas considerações ao texto.

O jornalista João Moreira, correspondente do português Diário de Notícias, observa, com razão, que, além de figurar entre os fundadores do Brasil, os portugueses também fazem parte da quarta raiz, a dos imigrantes, chegados aqui principalmente no século 19. Estes não vieram na condição de colonizadores.

Sérgio Gotthilf pergunta por que os judeus não estão mencionados entre os que contribuíram com a cultura brasileira. Na verdade, nenhuma lista de imigração os aponta como judeus, mas como originários das inúmeras nações em que foram espalhados pela diáspora: Alemanha, Polônia, Rússia, Hungria, Itália, etc. Enfim, como constava nos passaportes. Mas sua influência vem sendo imensa na cultura, nas artes, na medicina, nas ciências e no empreendedorismo do Brasil.

Gilberto Freyre dá grande importância ao legado de índios, portugueses e negros à culinária do Brasil. E este é outro campo de grande influência dos imigrantes. Basta verificar a importância das massas, da pizza e da polenta e dos embutidos italianos na dieta do brasileiro. E também das cozinhas japonesa (sushis, sashimis, etc.), árabe-libanesa (quibe, esfiha, tabule), alemã (o chucrute, as cucas), da suíça (fondues, racletes), espanhola (paella, gaspachos)... e paramos por aí por exiguidade de espaço.

Faltou dizer alguma coisa sobre a forte influência dos descendentes dos imigrantes no esporte do Brasil. E, de fato, por mais que o povão tivesse dificuldade em  pronunciar certos nomes, o primeiro grande ídolo do futebol nacional ficou conhecido como Friedenreich. Depois dele vieram Bauer, Bellini, De Sordi, Zagallo, Sani, Altafini (Mazzola), Rivellino, Taffarel, Feola, Felipão Scolari e tantos mais. Nosso craque do basquete foi Oscar Schmidt e do tênis, Gustavo Kuerten. No iatismo, temos Torben Grael e Robert Scheidt.

Alguém perguntou por que entre os presidentes do Brasil com nome estrangeiro não figura o de Sarney. Ora, aí não há DNA de imigrante. O nome original do ex-presidente é José Ribamar Ferreira de Araújo Costa. Sarney foi o apelido do pai, assim conhecido em São Luís (Maranhão) porque trabalhava para um inglês, que todos chamavam de sir Ney. O José Ribamar depois juntou o Sarney a seu sobrenome. Como Luiz Inácio fez o mesmo com seu nome de guerra, Lula.

CONFIRA:

Aí estão os números, ainda desoladores, do desempenho do comércio varejista, desde junho de 2015.

Abaixo do esperado

Os resultados de junho do comércio restrito vieram abaixo da expectativa, embora ninguém tivesse esperado grande coisa melhor: aumento de apenas 0,1% em relação a maio. No primeiro semestre, a queda é de 7,0%. É provável que os dados finais de julho venham melhores porque os primeiros resultados da indústria, já em julho, são positivos. De todo modo, não há nenhuma indicação de que uma recuperação firme esteja garantida.

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