Ainda cauteloso, comércio espera melhora gradual

Embora o movimento comercial tenha melhorado sensivelmente em relação aos primeiros meses deste ano, a recuperação do otimismo das famílias para o consumo ainda é lenta

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2017 | 05h00

Embora o movimento comercial tenha melhorado sensivelmente em relação aos primeiros meses deste ano, os lojistas estão ainda cautelosos. A Sondagem do Comércio, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indica um ligeiro recuo de 0,1 ponto porcentual no Índice de Confiança do Comércio (Icom) de outubro para novembro, o que contrasta com uma forte elevação nos dois meses anteriores. O resultado é interpretado como uma relativa acomodação do setor.

Já o Índice de Consumo das Famílias (ICF), indicador calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), avançou 3% de outubro para novembro, atingindo 80,2 pontos, o mais alto nível desde julho de 2015. A disparidade entre os dois indicadores é apenas aparente, uma vez que a CNC não deixa de notar que o ICF continua abaixo da zona de indiferença, cuja marca é de 100 pontos, o que sinaliza uma lenta recuperação do otimismo das famílias.

Constata-se, pela análise dos dados de ambas as fontes, que a percepção do comércio é de que a recuperação deve ser gradual. Como observou o coordenador da pesquisa da FGV, Rodolpho Tobler, os resultados da última sondagem do comércio reforçam “o diagnóstico de retomada do setor no ano, sob influência da inflação baixa, do ciclo de redução das taxas de juros e da melhora recente da confiança dos consumidores”.

A conjuntura é vista de forma muito semelhante pela CNC. Com o aumento do número de contratações no mercado de trabalho, há efeito perceptível sobre o nível de renda disponível do consumidor. Contudo, como revela a entidade, é ainda moderado o crescimento do porcentual de famílias que se sentem seguras em relação ao emprego atual, que subiu de 31,7% em outubro para 32,9% em novembro.

De modo geral, a situação do comércio nos meses finais de 2017 é muito mais animadora que no mesmo período do ano passado. Entre janeiro e novembro de 2017, o Icom da FGV avançou 13,5 pontos, enquanto em idêntico período do ano passado a alta foi de 9,7 pontos.

A CNC, por sua vez, revisou sua projeção para o volume de vendas do varejo ampliado em 2017. Antes, a expectativa era de uma elevação de 2,8%. Agora, a entidade espera uma alta de 3,7%, que, se confirmada, será o primeiro crescimento das vendas do varejo desde 2013.

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