'Ainda é cedo para declarar vitória'

Para Moritz, é preciso ver como os acordos fechados em Bruxelas pelas autoridades da UE vão ser postos em prática

Entrevista com

VINICIUS NEDER / RIO , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h07

O acordo para a aprofundar a união bancária e fiscal na zona do euro é o maior passo no sentido de uma solução para a crise das dívidas na Europa nos últimos tempos. É a avaliação inicial do chefe de ratings soberanos para Europa, Oriente Médio e África da S&P, Moritz Kraemer. No entanto, ele pondera que ainda é cedo para declarar vitória. É preciso ver como os acordos serão postos em prática.

A seguir, trechos da entrevista concedida Estado após seminário da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio.

Por que as coisas podem piorar antes de melhorar na UE?

Vai levar muito tempo até que o crescimento seja retomado. Poderemos ver alguma melhora no mercado de títulos públicos. Houve uma boa resposta do mercado hoje (ontem). Mas a (resposta da) economia real e as reformas, por exemplo, no mercado de trabalho, levam tempo. Podem levar muitos anos. Muito do sucesso que vemos hoje na Alemanha é consequência de reformas feitas seis ou sete anos atrás.

O quão importantes foram os acordos de ontem?

Minha avaliação preliminar sugere que é um passo muito maior na direção correta. É um passo importante. Temos de ver os detalhes e há o risco de implementação, claro. Temos de analisar como isso vai acontecer ao longo do tempo e se o tempo político para tomar as decisões coincidirá com o dos mercados, que é mais rápido.

Quais serão os principais problemas da Europa no processo de saída da crise?

O crescimento, o desemprego, e, consequentemente, a coesão política dos países. Se comparamos países como Grécia e Portugal, veremos grandes diferenças nas formas como as populações estão respondendo aos choques socioeconômicos.

E qual o risco desse cenário?

Isso pode também minar a coesão social. Se temos baixo crescimento e alto desemprego por muito tempo, as sociedades mudam. Houve uma geração perdida na América Latina (nos anos 1980), por exemplo. Isso tem implicações para as sociedades, mas como isso afeta a realidade política e o ambiente para a formulação de políticas, só podemos especular.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.