Ainda é lenta a retomada da confiança empresarial

A confiança dos empresários continuou a crescer e é disseminada, embora alguns índices acusem evolução lenta ou ainda se situem no campo negativo

O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2016 | 03h03

Nos últimos meses, segundo pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e de The Conference Board (TCB), a confiança dos empresários continuou a crescer e é disseminada, embora alguns índices acusem evolução lenta ou ainda se situem no campo negativo. O que fica evidente é que não é iminente uma recuperação mais vibrante da economia, pelo menos enquanto persistirem as dificuldades relativas ao emprego e à renda do consumidor.

O levantamento mais promissor é o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei, da CNI), que cresceu ininterruptamente nos últimos cinco meses e atingiu 53,7 pontos em setembro, superando a marca dos 50 pontos que separam os campos positivo e negativo e registrando evolução de 18 pontos em relação a setembro do ano passado.

Os três segmentos que formam o Icei (indústrias extrativa, de transformação e construção) tiveram alta e superaram a marca de 50 pontos. A indústria de transformação registrou mais de 50 pontos em 21 dos 27 subsetores analisados. Em setembro de 2015, nenhum subsetor atingira essa marca. A recuperação é liderada pelas grandes empresas.

O Indicador Antecedente Composto da Economia (Iace), da FGV/Ibre e do TCB, subiu pela sétima vez consecutiva (0,7% entre julho e agosto). Mais contribuíram para a alta os indicadores do comportamento de ações, as expectativas de serviços e consumidor, o índice de termos de troca e a evolução das taxas de operações de swap (troca) prefixadas. As expectativas favoráveis “são majoritárias”, notou o responsável pelo Iace, Paulo Picchetti, embora a produção física de duráveis e as expectativas da indústria e das exportações ainda sejam insatisfatórias. Outro índice da FGV/Ibre, que mede as condições atuais, mostra que expectativas favoráveis dos últimos meses ainda não se confirmaram.

Segundo o Monitor do PIB-FGV, a variação entre os trimestres móveis fevereiro a abril e maio a julho ainda é negativa em 0,49%. O único ponto positivo é que a taxa é a menos negativa em seis trimestres consecutivos. O coordenador do Monitor, economista Claudio Considera, nota que os “resultados apontam melhora da atividade econômica com relação ao ano de 2015”.

O comportamento da economia no trimestre em curso parece influenciado pelos níveis ainda baixos de investimento e consumo e pelo pouco dinamismo das exportações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.