VALERIA GONCALVEZ/ESTADAO
VALERIA GONCALVEZ/ESTADAO

Ainda falta diesel em postos de São Paulo

Apesar de descontos já serem notados nas placas, diesel ainda não chegou para postos de combustível

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 04h00

No posto BG Leste, em Guarulhos, o gerente Julio Mansour diminuiu o preço do litro do diesel em R$ 0,46 na sexta-feira, quando recebeu da distribuidora 5 mil litros do combustível – metade do que o de costume. O volume foi todo vendido em menos de 24 horas e, desde sábado, Mansour espera uma nova carga. Ele também está sem etanol e, na tarde desta segunda-feira, 04, restava apenas 15% da gasolina que recebeu no sábado. “Estou falando com os distribuidores desde ontem (segunda), para ver se eles me ajudam. Nos dois postos que temos aqui na (Rodovia) Ayrton Senna, o movimento na lanchonete caiu 80%, e são 200 funcionários praticamente parados.”

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A falta de diesel também é observada por toda a cidade de São Paulo. Um posto da rede Duque na Avenida dos Bandeirantes, na zona sul, não recebeu o combustível mesmo após o fim da greve. As placas com os preços já indicam o novo valor do produto. O litro do diesel S-10 está R$ 3,639; antes saía por R$ 4,099, o que significa um desconto de R$ 0,4591.

No Tri, um posto de bandeira branca na zona leste onde a redução foi de R$ 0,46 no litro, o diesel também ainda não chegou. “Parece que está tendo muito pedido e as distribuidoras dão prioridade para os postos de suas bandeiras”, disse o gerente, Bismarque Sampaio. Na zona oeste, o posto Promissão reduziu o preço de R$ 4,099 para R$ 3,539 na manhã desta segunda, após receber 5 mil litros do combustível. “Normalmente, recebemos 10 mil. O diesel comum já acabou e o S-10 vai acabar logo mais”, disse o gerente Alexandre de Melo.

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O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, prevê que a normalização do abastecimento ocorra até esta quarta-feira, 06. Ele afirma que a fiscalização do preço nos postos não deverá ser simples, já que a portaria que estabeleceu a prática não deixa explícito que o corte no litro do diesel deve ser de R$ 0,46. O documento fala apenas que a “redução do valor nas refinarias deverá ser imediatamente repassada aos consumidores pelos postos”.

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“Os postos nem compram de refinarias, compram de distribuidoras. Só pode dar errado fazer uma lei sem falar com o setor afetado”, acrescentou Gouveia.

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Enquanto o diesel cai nas bombas, a gasolina não retornou aos níveis anteriores à greve. No posto Tri, por exemplo, o litro saía ontem por R$ 4,099, dez centavos a mais do que antes da paralisação. No auge da greve, o valor chegou a R$ 4,499. Na rede 53, na zona sul, o litro bateu R$ 4,50 durante a greve e agora está custando R$ 4,10 – 20 centavos a mais do que antes dos protestos.

Para as distribuidoras, porém, o preço do litro descontados os impostos era de R$ 1,9976 nesta segunda, ante R$ 2,0113 no sábado e R$ 1,9671 na sexta.

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