REUTERS/Aaron Josefczyk
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Ainda fora do ar

A Olimpíada deveria servir de “catalisador” para a regulamentação e, com ela, a realização de enormes investimentos no mercado de drones, mas as normas da Anac ficaram para depois

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2016 | 16h30

Era para estar publicada até os Jogos Olímpicos, mas, a 12 dias da cerimônia de abertura, a regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o uso comercial dos drones, os veículos aéreos não tripulados (Vants), vai ficando para depois.

A Anac alega que “a grande quantidade de contribuições recebidas durante o processo de audiência pública” atrasou o planejamento. A publicação da regulamentação está prevista, agora, para até o fim do ano. 

A Olimpíada deveria servir de “catalisador” para a regulamentação e, com ela, a realização de enormes investimentos na área. No entanto, “sem segurança jurídica, as parcerias entre as universidades e a iniciativa privada ficam prejudicadas, porque o investidor deixa de ter perspectiva de retorno no curto prazo”, explica o professor Geraldo José Adabo, da divisão de Engenharia Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). 

Os únicos drones autorizados a operar durante os Jogos são os do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Defesa Civil do Rio de Janeiro. Assim, diferentemente do que aconteceu nos Jogos de Inverno realizados em Sochi, na Rússia, em 2014, quando o canal britânico BBC utilizou seu próprio drone, as emissoras de televisão dependerão das imagens concedidas pela Olympic Broadcasting Services (OBS), produtora oficial do COI.

Um estudo da consultoria PwC (veja o Confira) avalia que o setor de mídia e entretenimento no mundo poderia investir mais de US$ 8 bilhões por ano na utilização de drones somente substituindo alguns serviços. O setor de infraestrutura oferece ainda mais oportunidades. Filmagens em alta resolução e até mesmo em 3D podem facilitar a prevenção de falhas e reduzir imensamente os custos de manutenção em grandes obras. Desse modo, a consultoria prevê que US$ 45,2 bilhões poderiam ser investidos pelo setor nesse tipo de tecnologia. 

Assim, o Brasil vai chegando atrasado e todo o mercado de drones se vira com o que tem. Quem hoje quer utilizar um Vant, precisa cumprir várias condições: cadastrá-lo na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); obter concessão de voo pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), do Comando da Aeronáutica; e, por fim, conseguir aprovação da Anac para a área de operação. 

Apesar da burocracia, o potencial de desenvolvimento do setor é enorme. Os resultados da última edição da Droneshow (feira exclusiva de drones), realizada em maio, em São Paulo, podem não ter passado essa impressão, porque proporcionaram contratos de apenas R$ 42 milhões. No entanto, “esse é um resultado que deve ser considerado expressivo, já que a velocidade de desenvolvimento do mercado está cerceada pela falta de regulamentação”, observa Emerson Granemann, diretor do Grupo MundoGeo,  promotor do evento.

Comprar e vender esses aparelhos não está proibido, mas, como Granemann observa, mais de 200 marcas de todo o mundo poderiam colocar o País em sua rota de negócios, caso as regras da Anac já estivessem aprovadas.

Enquanto as normas não vêm, para a Olimpíada fica prevalecendo a determinação do Decea de abater qualquer objeto não identificado que sobrevoe as áreas dos Jogos. / COM RAQUEL BRANDÃO

Acima, o potencial de ganhos do uso de drones em diferentes setores, segundo a PwC. Para essa estimativa, a consultoria usou como base de cálculo o valor dos serviços que poderão ser substituídos por essa tecnologia. Os números apontam para magnitudes superiores a US$ 127 bilhões.

 

Estados Unidos

Em 21 de junho, a Administração Federal de Aviação americana (FAA, na sigla em inglês) publicou novas regras para o uso comercial das pequenas aeronaves. Entre as disposições, a regulamentação proíbe o uso de drones com mais de 25 quilos. 

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