‘Ainda há muita gente migrando para imóvel próprio’

Com mercado consolidado, sem previsão de um novo boom e com vendas em um novo ritmo, imobiliárias reforçam suas estratégias

O Estado de S. Paulo,

29 de maio de 2014 | 09h50

SÃO PAULO - Com o ritmo de lançamentos imobiliários em desaceleração e consumidores mais cautelosos diante do cenário econômico, as grandes imobiliárias apostam no sucesso das novas fases de grandes empreendimentos iniciados nos últimos anos. O Estado conversou com empresas listadas no ranking do prêmio Top Imobiliário deste ano e procurou saber quais estratégias têm sido tomadas na atual conjuntura na capital paulista.

Depois do forte crescimento registrado nos últimos dois anos, o mercado enfrenta um momento menos pujante agora em 2014. "Estamos em um período de acomodação. O pequeno investidor está mais atento, mas as taxas continuam atrativas e existe muita gente ainda migrando para o imóvel próprio. Hoje, há um mercado consolidado, não haverá mais um boom como aquele recente", analisa o diretor comercial da Tecnisa, Douglas Duarte.

A Tecnisa ficou em 10º lugar na categoria Vendedoras do prêmio com 25,79 pontos. Os números corroboram a percepção de Duarte. Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp,) até o final de março, foram lançadas 3.908 unidades – um número 26,6% menor que o do ano passado. E de acordo com pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi) de São Paulo, as vendas no primeiro trimestre deste ano sofreram queda de 45,3%, na comparação com o mesmo período de 2013 – registrando 3.755 unidades contra 6.862, respectivamente.

"Nosso mercado é totalmente vulnerável à conjuntura econômica. Se a economia dá uma retraída, ele acompanha", alega o vice-presidente comercial da Abyara Brokers, Bruno Vivanco. A empresa ficou em segundo lugar no ranking das vendedoras do Top Imobiliário, com 194,57 pontos.

A expectativa é de haver melhora depois da Copa do Mundo. "Invariavelmente, o segundo semestre tem mais lançamentos, porque as coisas se arrastam para depois de julho. As pessoas se programam melhor para o segundo semestre", argumenta Vivanco.

Para ele, o cenário menos favorável, no entanto, deve ser enfrentado com uma equipe fortalecida e que esteja presente em todo o processo do empreendimento. "Somos prestadores de serviços, independentemente do momento macro. Para manter o share de mercado e os clientes que atendemos, temos de prestar um bom serviço. Estamos em todas as fases para mostrar bons resultados." Para isto, segundo ele, é preciso fazer pesquisa e treinamento.

Com relação à premiação, Vivanco afirma: "O sucesso e a credibilidade da Abyara são o resultado do constante comprometimento da empresa em garantir a qualidade do serviço aos nossos clientes."

Para o presidente da Fernandez Mera, Gonzalo Fernandez, no momento atual de baixos lançamentos, o diferencial da imobiliária pode estar na maneira como ela trabalha as unidades remanescentes. "Estamos focados nos estoques. Nossas equipes participam fortemente do lançamento, mas aqueles profissionais com melhores resultados ficam responsáveis por desenvolver as vendas até o final do empreendimento", conta.

A conquista de bons resultados envolve cativar uma base de clientes e divulgar o empreendimento de diferentes maneiras. "O corretor não pode ter postura passiva e aguardar o cliente vir até ele."

A qualificação da equipe é apontada por Fernandez como um dos fatores que levaram a empresa a estar em terceiro lugar no ranking de vendedoras do Top Imobiliário com 110,19 pontos. "Há três décadas, investimos fortemente em tecnologia e qualificação, a fim de oferecer um serviço de consultoria imobiliária de qualidade. O resultado é o reconhecimento como uma das melhores empresas do setor que mais cresceram nos últimos anos. Agradecemos clientes e todos os nossos parceiros."

Novas fases. Se trabalhar os estoques é uma das estratégias para a conjuntura atual, as imobiliárias também vão se dedica fortemente às novas fases de empreendimentos, como a do complexo Jardim das Perdizes, na região da Barra Funda.

Em uma área de 250 mil m², o projeto da construtora Tecnisa será um condomínio misto de residencial e comercial, com cerca de 30 torres, ruas e avenidas e um parque para os mais de 12 mil futuros moradores do minibairro. Diferentemente de outros lançamentos mais compactos, o empreendimento oferece apartamentos de dois a quatro dormitórios que podem chegar a 496 m² de área. Nas segunda e terceira fases, as unidades continuarão sendo vendidas por diversas imobiliárias, como a Lopes e a própria Tecnisa Vendas.

Outros empreendimentos entrarão em novas fases já depois da Copa do Mundo. Segundo a Abyara Brokers, os megaprojetos da Odebrecht, Parque Cidade e Praça São Paulo, na Chácara Santo Antônio, irão oferecer novas torres residenciais e comerciais. Os apartamentos seguem o mesmo padrão para famílias, com metragens de 133 a 317 m². No Brooklin, o complexo Habitarte, projeto da Yuny e da Stan em um terreno de 20 mil m², entrou neste mês na segunda de suas três fases. No Campo Grande, na zona sul, o projeto Vila Nova Sabará, das incorporadoras Rossi e PDG Realty terá outra etapa. As vendas do Praça Inglesa, o quarto e último da série, devem ser iniciadas no próximo dia 31.

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