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'Ainda temos bala na agulha', diz Mantega a investidores

"O panorama da economia mundial está piorando. Até agora não houve solução para crise", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. No entanto, em palestra em Nova York para investidores, Mantega disse que o Brasil ainda tem ferramentas para abrandar os efeitos da crise internacional no País, acionando o que classificou como círculos de proteção da economia. "Ainda temos bala na agulha, ainda não esgotamos as políticas", afirmou. Ele reiterou a avaliação de que o Brasil foi um dos últimos a ser afetado pela crise e disse que acredita que "será um dos primeiros a sair dela".

NALU FERNANDES, Agencia Estado

16 de março de 2009 | 12h54

Entre as "munições" descritas pelo ministro, ele citou que o País tem R$ 160 bilhões em depósitos compulsórios. "Sem falar da taxa de juro que ainda é elevada no Brasil e tem espaço para ser reduzida. Outros países trabalham com juro próximo de zero", acrescentou no mesmo seminário que contou com a participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Mantega disse que o Brasil nas décadas anteriores tinha comitê de credores. Agora talvez precise de comitê de devedores do Brasil, pois hoje somos credores. Não sei se Bill Rhodes se habilita a tomar este papel", alfinetou o ministro, olhando para o executivo, que é presidente do Citibank e integra o mesmo painel de discussões do qual o ministro faz parte.

Sobre a crise mundial, Mantega reiterou que é preciso enfrentar rapidamente o problema da fragilidade de bancos, principalmente, nos EUA. "Enquanto esta questão não se resolve, a economia real vai se deteriorando. Cada vez que o FMI faz uma previsão fica pior que a anterior. Na penúltima previsão ainda esperávamos crescimento positivo para 2009 (da economia mundial). Agora na ultima já estamos abaixo de zero", acrescentou.

O ministro ponderou que o Brasil é um dos países que reúnem as condições mais favoráveis para enfrentar a crise. "Isto não quer dizer que não vá sofrer as consequências desta crise, mas vai sofrer de forma menos intensa". Ele acrescentou que as medidas do governo têm suavizado os efeitos da crise.

O ministro disse que, enquanto a maioria dos países está esperando uma grande diminuição do emprego, haverá um saldo positivo de empregos em 2009 no Brasil. Ele exemplificou que, em 2008, a diferença entre admissões e demissões ficou em 70%, ou seja, "70% a mais de admissões do que de demissões", disse. Em 2009, esperamos 20% a mais de admissões do que demissões.

Meirelles

O Banco Central, não só na gestão de liquidez como na gestão da política monetária, está totalmente sintonizado para proteger o Brasil dos efeitos da crise, afirmou Henrique Meirelles, durante o painel "O Brasil e a Crise Global - Como o país está superando a atual turbulência", em Nova York. "Dentro de uma postura de preservação da estabilidade econômica e de estabilidade de preços estamos engajados nesta política e fazendo com que a economia brasileira possa, segundo a nossa expectativa, sair da crise um pouco mais rapidamente do que a média e, possivelmente, crescer mais que a média mundial", acrescentou.

O presidente do BC citou que a taxa de juro real no mercado interbancário está em 5,3% ao ano, "no menor nível da série registrada no Brasil. Já é uma taxa que impulsiona a economia". Meirelles disse que o crédito está se recuperando, "mas ainda existe trabalho a fazer nesta área", acrescentou.

Para a plateia, que incluía o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de Mantega, Meirelles acrescentou que o "Brasil não precisa criar demanda doméstica para substituir demanda externa", agora com a crise. "Este é o primeiro ponto de diferenciação do Brasil (em relação a outros países)", acrescentou. O presidente do BC ponderou que "o mais importante" é que o crescimento da demanda doméstica é "impulsionado pela renda doméstica, e isso é o fator que deve ser levado em conta quando a demanda internacional está caindo."

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