Ainda vale a pena viajar para o exterior?

Os brasileiros, desde 1994, descobriram as viagens de turismo internacionais. O dólar barato e a significativa queda nos preços dos vôos internacionais permitiram à classe média visitar outros países, trazer muitas compras e, mesmo para quem preferia ficar em casa, comprar produtos importados a preços atraentes. Mas isso está mudando rapidamente.Desde a mudança do regime cambial e conseqüente desvalorização do real em janeiro de 1999, essas facilidades vêm acabando. As cotações passaram a oscilar e nunca mais falou-se no dólar barato, especialmente neste ano. Quem planeja férias no exterior assiste estarrecido há semanas a evolução do câmbio, que hoje chegou a bater em R$ 2,8150. E segundo analistas, a tendência é de que a alta continue (leia mais no link abaixo), aproximando as opções para as férias do panorama no final dos anos 80, quando, para a maioria, viagem de compras no exterior restringia-se às cidades de fronteira no Paraguai.Além da desvalorização contínua do real, que já ultrapassa os 40% só nesse ano, ainda há o medo pela segurança. As imagens de seqüestros de aviões e ataques terroristas apavora os brasileiros e provoca cancelamentos. (Veja a segunda parte dessa matéria sobre segurança no link abaixo). Isso sem mencionar os riscos de uma guerra iminente que ninguém sabe as proporções que pode tomar. Uma parte dos turistas acaba optando por viagens nacionais, enquanto muitos desistem mesmo e ficam em casa.Ainda é possível viajar para o exteriorO turista deve apertar o cinto e planejar bem sua viagem. A primeira medida é ir guardando o dinheiro na moeda do país que pretende visitar, comprando traveller checks. Eles estão disponíveis em várias moedas, como dólar, euro, iene, dólar canadense, dólar australiano, entre outras (leia mais a respeito no link abaixo). Assim, o risco da oscilação cambial é diminuído.É importante planejar os gastos de acordo com o país a ser visitado. A grande maioria das moedas nacionais oscilam no mercado internacional. Quem compra dólares para ir para o Japão, por exemplo, pode acabar perdendo duplamente se o iene se valorizar em relação à moeda norte-americana. As moedas fortes, porém, tendem a oscilar menos que o real até o final do ano que vem, dada a conjuntura especialmente desfavorável para os países emergentes.Mas o melhor é ter alguma flexibilidade para acomodar os planos à realidade econômica. Obviamente, é necessário decidir o destino com antecedência, especialmente se a viagem estiver marcada para o final da baixa temporada (geralmente dezembro e junho) ou durante a alta temporada (meses de férias). Mas é difícil prever com exatidão a diferença de custos entre uma viagem para a Europa ou para os Estados Unidos em um ano, por exemplo. Talvez não seja o momento de realizar aquele sonho de visitar os destinos mais caros, como França ou Estados Unidos. Outros países da América Latina podem sofrer os mesmos efeitos que o Brasil, e as viagens não ficariam tão caras. México, Chile, Bolívia, Peru, Costa Rica, Guatemala e Cuba atraem turistas do mundo inteiro, mas muitas vezes desprezados pelos brasileiros. Essa é, também, uma das regiões mais seguras do mundo do ponto de vista de ataques terroristas e conflitos armados.Quanto mais cara a passagem, multiplicam-se as despesas. Por isso, além de procurar países mais baratos, é importante procurar passagens baratas. Assim, o mais recomendável é viajar na baixa estação (leia mais a respeito nos links abaixo). Esse é o principal empecilho para quem pensa em ir para a Ásia, África ou Oceania. Os bilhetes para esses destinos não saem por menos de US$ 1.000, mesmo na baixa temporada. Já para Europa e América do Norte, há anúncios de passagens nos suplementos de turismo para embarque até o início de dezembro por cerca de US$ 650. Mas o turista também deve ficar atento aos preços locais. A opção mais barata na Europa ocidental é Portugal.Veja no link abaixo como planejar uma viagem segura nesses tempos incertos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.