''''Ainda vou vender muita cerveja pela televisão''''

ROBERTO JUSTUS: Presidente do Grupo Newcomm[br]Para Roberto Justus, muitos publicitários vendem inovações que ainda não se aplicam à realidade brasileira

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2007 | 00h00

?PERSPECTIVAS: "O negócio da comunicação vem a reboque da economia e a economia vai bem, conseguiu até agora descolar da crise americana. Aliás, os países do BRIC, embora se afetem, não mais se destroem pelos desacertos do primeiro mundo. Alguns anunciantes dos segmentos carros-chefes da economia, como varejo, telefonia, bancos e indústria automobilística sinalizam investimentos em marketing. Um exemplo está no fato de as cotas das Olimpíadas e as dos maiores eventos esportivos, como do futebol, já terem sido vendidas" (uma cota na Rede Globo custa cerca de R$ 107 milhões).CONCENTRAÇÃO DE MERCADO: "O que acontece no cenário global é uma concentração do negócio da comunicação, que se acirrou nos últimos anos. Há quatro grupos mundiais competindo e concentrando toda a compra de mídia. Isso acabou se refletindo no Brasil. Basta olhar o ranking interno: as dez maiores agências estão nas mãos desses grupos." MÍDIAS TRADICIONAIS: "Apesar de o cenário externo se refletir no Brasil, a modernização que se dá lá não é igual ao que acontece aqui dentro. Temos que tomar cuidado. A grande massa de consumo não tem condição de absorver a tecnologia do jeito que ela é oferecida lá fora. A televisão aberta continuará sendo o canal de consumo de mídia, e isso é totalmente diferente do que acontece no resto do mundo. Não vou falar com o público das Casas Bahia através de mensagens de celular, mas sim pelos comerciais televisivos que tem resposta imediata. Ainda vou vender muita cerveja pela televisão." NOVAS MÍDIAS : "Vejo um monte de publicitários vendendo inovações que não se aplicam ainda no Brasil. Uma empresa de geração de conteúdo fora do espaço dos anúncios, montada há quatro anos por um executivo hoje no meu grupo, não decolou na época porque só agora os anunciantes entendem o que é ?não? fazer o merchandising tradicional - aquele que interrompe a programação e irrita a audiência. ?O Aprendiz? (programa que Justus apresente e que terá no próximo ano sua quinta edição) é um exemplo do merchan dentro do conteúdo, porque as provas são dos clientes e funcionam junto da audiência."LINGUAGEM: "O avanço do uso da Internet entre os jovens diminui o tempo que eles passam expostos à televisão. A palavra chave é opção. O segredo não é mais não ter televisão, mas sim o que fazer na televisão para reter a atenção deles. É fundamental que os programas tenham uma linguagem mais moderna. Por isso, montei uma produtora para desenvolver programas mais adequadas às novas gerações".FUTURO: "Vejo o Newcomm a partir do conceito que considera a capacidade de atuarmos em três frentes: a da propaganda, a do entretenimento e a da tecnologia com interatividade. Esse é o desenho do futuro da comunicação publicitária. Quem só sabe lidar com uma das pontas - fazer anúncios - não vai sobreviver. A publicidade está cada vez mais negócio. Publicitários têm que entender que o que deve brilhar é a empresa. A agência é o parceiro que vai ajudar a fazer a empresa do cliente crescer. Logo, anúncios e as plataformas usadas são apenas os meios para se obter resultados".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.