finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Air France planeja cortar mais 2,8 mil funcionários

Companhia aérea, que já havia anunciado corte de 5,1 mil empregados em 2012, diz viver período de 'demanda fraca'

Nicolas Clark, O Estado de S.Paulo - The New York Times

19 de setembro de 2013 | 02h13

PARIS - A Air France informou ontem que pretende eliminar mais 2.800 empregos, ou 5% de sua força de trabalho, até o fim do próximo ano, num esforço para recuperar a lucratividade.

"Estamos vivendo um período de demanda fraca", disse Frédéric Gagey, presidente da companhia aérea, após uma reunião de três horas com conselhos de empregados da Air France. "Estamos enfrentando o pleno impacto do caráter cíclico do transporte aéreo."

Como muitas companhias aéreas na Europa, a Air France continua enfrentando dificuldades num clima de economia fraca e desemprego crescente. A companhia anunciou 5.100 cortes de empregos em junho de 2012 - parte de um plano de reestruturação mais amplo da companhia controladora, o grupo franco-holandês Air France-KLM.

Alexandre de Juniac, o presidente da Air France-KLM, disse que o grupo provavelmente reportaria um prejuízo líquido em 2013 (o sexto prejuízo anual consecutivo) por não conseguir cumprir o objetivo inicial de sair do vermelho. Mas ele espera que as medidas adicionais façam a companhia retornar ao lucro até o fim de 2014.

Reagindo a pressões do governo socialista da França para evitar perdas de empregos, a Air France disse que as últimas reduções de pessoal seriam realizadas, sobretudo, com uma combinação de saídas voluntárias, aposentadorias precoces, rotatividade da mão de obra e redução da jornada de trabalho. As negociações com os sindicatos sobre os novos cortes começarão em 4 de outubro, segundo a empresa.

A Air France, que tem alguns dos custos trabalhistas mais altos entre as empresas de aviação europeias, tem lutado para permanecer competitiva no ambiente de prolongada recessão econômica da região, de custos de combustíveis teimosamente altos e da feroz competição das empresas aéreas de baixos custo. Empresas em rápida expansão da Ásia e do Golfo Pérsico estão espremendo as companhias que oferecem serviço completo como Air France, Lufthansa e British Airways.

Michel Salomon, porta-voz da Air France no sindicato Confédération Française Démocratique du Travail, reconheceu que a situação econômica atual deixou a Air France com a saúde "frágil" e que reduções significativas de pessoal eram inevitáveis, mas questionou se as metas da administração não poderiam ser alcançadas exclusivamente por meios voluntários. "Sem oferecer termos atraentes, não há garantias de que eles conseguirão evitar demissões."

Analistas disseram que a pressão do governo francês - que tem 15,9% da Air France - para limitar demissões no ano passado podem ter levado a administração a ser menos agressiva em seu plano inicial de reestruturação. "A primeira onda não foi suficiente para alcançar as metas estabelecidas pela companhia", disse Yan Derocles, um analista do setor na Oddo Securities em Paris. Ontem, De Juniac admitiu que o plano anunciado no ano passado não havia sido suficiente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.