Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

Air France pode cortar mais 5 mil empregos

A companhia não conseguiu acordo com pilotos para aumento de horas trabalhadas sem aumento do salário e anunciou corte

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2015 | 02h04

A Air France vai cortar mais 5 mil empregos se uma segunda fase de seu programa de redução de custos for implementada, afirmaram ontem duas fontes sindicais. A companhia, que não conseguiu um acordo com pilotos para aumento de horas trabalhadas sem aumento do salário, já tinha anunciado nesta semana plano para 2,9 mil demissões, que acabaram disparando violentos protestos em que executivos chegaram a ser agredidos.

A demissão de 2,9 mil funcionários seria a primeira parte do chamado plano "B" da companhia, afirmaram as fontes. "Se formos para a segunda fase desse plano, haverá cortes de 5 mil empregos", disse um representante sindical.

Na segunda-feira, a Air France anunciou que vai reduzir sua frota em 14 aviões para 93 aeronaves. Fontes sindicais afirmaram que cada aeronave retirada da frota representa 100 comissários, 50 pilotos e 200 funcionários em terra, além de outras economias de custos, indicando que os cortes poderão eventualmente chegar a quase 8 mil empregos.

O clima entre a direção da empresa e sindicalistas piorou na sexta-feira, quando expirou o prazo fixado pelo comando da companhia para chegar a um acordo para ampliação da carga horária sem aumento de salário. Anteontem, ocorreu um tumulto em uma das sedes da companhia, no momento em que os representantes sindicais invadiram uma reunião do Comitê Central da Empresa, órgão que agrupa representantes da direção e dos trabalhadores. Para fugir, os diretores foram obrigados a pular uma grade em frente às câmeras.

O diretor-presidente do grupo Air France-KLM, Alexandre de Juniac, deixou a sala e não enfrentou a fúria dos sindicalistas. Mas o diretor de recursos humanos, Xavier Broseta, e o diretor de atividades de longa distância, Pierre Plissonnier, não escaparam. Cercados por uma multidão, foram agredidos com chutes e socos e tiveram suas camisas rasgadas. Um segurança entrou em coma.

O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, disse ontem que, as pessoas que participaram do ataque devem ser severamente punidas. "Essas são ações de marginais", disse Valls na sede da Air France, próximo ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. "Violência é inaceitável... deve haver punições severas." Valls pediu que as negociações entre a companhia aérea e seus funcionários continuasse, e disse que o governo apoia a gerência da Air France em sua decisão de mudar a empresa.

Questionado se o governo deveria intervir mais diretamente na disputa dado que tem 17% de participação na empresa, o ministro dos Transportes francês, Alain Vidalies, disse que a nacionalização não está na agenda. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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