Air France recua e greve de pilotos pode terminar

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Air France recua e greve de pilotos pode terminar

Pressionada pelo governo francês, empresa decide encerrar projetode extensão das operações de sua companhia aérea de baixo custo

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2014 | 02h06

Sob intensa pressão do governo francês, a companhia aérea Air France anunciou na noite de ontem o cancelamento de parte de seu projeto de reformas, cedendo às pressões do sindicato de pilotos que paralisa metade dos voos da empresa há 10 dias.

A decisão deve resultar no fim da mais longa greve da categoria desde 1998. Impopulares até mesmo entre os funcionários da companhia, que os acusam de corporativismo, os pilotos dão demonstração de força e evidenciam o quanto é difícil reformar na França.

O recuo da direção da Air France foi informado em nota oficial publicada às 21h de ontem. Em três pontos, a empresa anuncia o fim do projeto de extensão das operações da companhia de baixo custo ("low cost") Transavia Europe e a retomada do foco nas reformas da subsidiária Transavia France, além de exortar o sindicato de pilotos a encerrar a greve.

O projeto de reforma do grupo, o número 2 do mercado da Europa, atrás da alemã Lufthansa, havia sido apresentado havia 10 dias e se baseava na transferência voluntária de aeronaves e de pilotos para a filial Transavia Europe a partir de 2015.

Desde então, a empresa foi acusada pelos pilotos de praticar "dumping social", fechando postos de trabalho na França e abrindo em Portugal ou na Holanda, onde os direitos trabalhistas são menos rigorosos.

A direção da empresa, porém, argumentava que mil novos postos de trabalho seriam criados - 250 deles na França - e que o projeto permitiria enfrentar a concorrência de Ryanair, EasyJet e outras "low cost" que ganham mercado na Europa.

Na terça-feira, pilotos fizeram uma manifestação em frente à Assembleia Nacional, em Paris. O protesto foi alvo de outra manifestação ontem, em frente à sede da Air France, quando cerca de 500 funcionários, a maioria "de terra", reclamaram dos privilégios dos pilotos, que não aceitam as reformas.

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