JIM WILSON | NYT
JIM WILSON | NYT

Airbnb para totós

A última invenção da economia colaborativa é o compartilhamento de hospedagem para a turma do latido

The Economist

16 de janeiro de 2017 | 05h00

A maioria dos americanos vê seus pets como parte da família, dizem as pesquisas. Os que têm cachorros em casa costumam se referir a si mesmos como “pais” dos animais, não como seus donos. E nunca houve tantos desses “pais” como hoje. Em cidades grandes, como São Francisco e Seattle, o número de cães de estimação é maior que o de crianças.

Como não poderia deixar de ser, também se multiplicam as maneiras que a iniciativa privada encontra para lucrar com a tendência. Os consumidores atualmente podem oferecer a seus fiéis companheiros não só comida orgânica, mas também rações preparadas com alimentos crus, a fim de que eles possam seguir uma dieta “paleolítica”, baseada naquilo que seus ancestrais comiam quando levavam uma vida selvagem. Outro mimo de luxo são os colchões ortopédicos para pets. E há ainda roupas e adereços: no Halloween de 2016, os americanos gastaram mais de US$ 400 milhões com fantasias para seus bichinhos.

Ao longo dos últimos dez anos, os gastos anuais dos consumidores americanos com rações e produtos para animais de estimação aumentaram 40%, chegando a US$ 43 bilhões. É uma taxa de crescimento impressionante para um segmento de tamanho já considerável, diz Jared Koerten, da Euromonitor. Agora, algumas startups identificaram uma nova oportunidade. Mirando-se no exemplo do Airbnb, duas empresas, Rover e DogVacay, querem oferecer aos donos de animais de estimação que precisam viajar, e não têm com quem deixar seus pets, alternativas aos canis e hotéis para cachorros.

O consumidor busca anfitriões na região em que mora e paga para que seu cão fique na casa da pessoa. O custo da diária gira em torno de US$ 30, quantia bem inferior à cobrada por canis, pet shops e hoteizinhos. A maior parte desse valor fica com o anfitrião e cerca de 20% com a empresa.

Conforto. Outra vantagem é que, de maneira geral, os bichinhos são tratados com mais carinho. Há maneiras, ao que parece, de identificar os anfitriões que realmente gostam de animais: só 15% dos que se cadastram são aprovados. Além de garantir aos totós mais atenção e espaço para brincar, as plataformas tentam oferecer serviços adicionais para atrair “pais” ansiosos e superprotetores. A Rover criou uma funcionalidade que, por meio do GPS do smartphone do anfitrião, permite ao dono verificar a distância percorrida pelo cãozinho em seus passeios. Como o Airbnb, DogVacay e Rover contratam seguros contra acidentes durante a estadia.

Outra vantagem do modelo é que, diferentemente de outras plataformas que conectam consumidores com prestadores de serviços ocasionais, os donos de animais de estimação costumam recorrer aos serviços de hospedagem várias vezes ao longo do ano, e tendem a criar uma relação de fidelidade com o anfitrião. Isso ajudou o DogVacay e o Rover a atrair bom volume de investimentos em capital de risco: cerca de US$ 140 milhões, somando-se os recursos captados pelas duas startups.

A questão é que, para se globalizar, as empresas que conectam pets com anfitriões enfrentam concorrência acirrada. Há empreendimentos semelhantes surgindo em diversos países, incluindo Austrália, Reino Unido e Brasil (onde atuam, em moldes similares aos do DogVacay e Rover, os aplicativos PetAnjo e DogHero). E, ao contrário do que acontece com o Airbnb, que atrai consumidores graças a sua presença em inúmeros destinos turísticos, para serviços como os oferecidos por DogVacay e Rover o “efeito de rede” é localmente concentrado. Apesar de estarem entre as primeiras a ter identificado a tendência, é possível que essas empresas jamais atinjam a escala de um Airbnb. Seu osso será bem mais duro de roer.

© 2017 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM

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