Lionel Bonaventure / AFP
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Airbus anuncia fim da produção do superjumbo A380, o maior avião do mundo

Decisão foi tomada depois que a companhia aérea Emirates reduziu um pedido de 39 unidades do maior avião de passageiros do mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2019 | 05h44

PARIS - A Airbus anunciou nesta quinta-feira, 14, o fim da produção do A380, maior avião de passageiros do mundo e símbolo da empresa, cujas entregas serão encerradas em 2021, depois que a companhia Emirates decidiu reduzir um pedido de 39 exemplares do modelo.

O A380 tem dois decks de cabines espaçosas e 544 assentos para passageiros em layout padrão. Foi projetado para desafiar o legendário 747 da Boeing, mas não conseguiu se firmar quando as companhias aéreas apoiaram uma nova geração de jatos menores e mais ágeis.

A consequência desta decisão é que nosso livro de pedidos já não é suficiente para permitirmos manter a produção do A380", disse o presidente do grupo, Tom Enders, em um comunicado. "Isso encerrará as entregas do A380 em 2021." A Emirates substituiu o pedido por outro de 40 A330neo e 30 A350.A Airbus não informou o valor do pedido em razão de uma nova regra contábil que entrou em vigor recentemente e não detalhou as versões da aeronave.

Mas a empresa disse que "conversará com seus sócios nas próximas semanas sobre os 3 mil a 3,5 mil postos de trabalho que poderão ser afetados pela decisão nos próximos três anos".

Mesmo assim, segundo o grupo, "o atual aumento do ritmo (de produção) do A320 e o novo pedido de jumbos da Emirates oferecerão várias possibilidades de mobilidade interna."

A decisão já era esperada, pois o futuro do A380 estava ligado à decisão, em 2018, da companhia aérea do Golfo de adquirir mais 36 A380, o que dava à Airbus "uma visibilidade, pelo menos, para os próximos 10 anos", indicou Enders.As conversas com sindicatos de funcionários devem começar nas próximas semanas, segundo a empresa. Os empregos em risco são principalmente na França e na Alemanha, mas também pode haver um impacto na Espanha e na Grã-Bretanha.

Respondendo a preocupações de bastidores de clientes de companhias aéreas da Ásia à Europa, Enders ressaltou que a Airbus continuará apoiando o A380 enquanto ele permanecer em operação.

A Emirates, que construiu sua marca global em torno do A380 e do Boeing 777 e que possui 100 dos superjumbos da Airbus em sua frota, disse que ficou desapontada com o fechamento. "A Emirates tem sido um firme defensor do A380 desde a sua criação", disse o presidente da Emirates, xeque Ahmed bin Saeed al-Maktoum.

"Enquanto estamos decepcionados por ter que desistir de nosso pedido, e triste porque a linha de produção não pode ser mantida, aceitamos que essa é a realidade da situação", acrescentou.

Com vôo inaugural em 2005, o A380 foi um passo importante nos esforços da Airbus para competir em condições de igualdade com a Boeing. Mas as vendas dos maiores jatos de quatro motores da indústria caíram devido a melhorias em alternativas de bimotores mais leves, como o Boeing 787 e 777 ou o próprio A350 da Airbus.

"O que estamos vendo aqui é o fim da grande aeronave de quatro motores", disse Enders após sua última decisão importante antes de deixar o cargo em abril.

Lucro

A Airbus também anunciou que registrou em 2018 lucro líquido de € 3,054 bilhões, que representa alta de 29%, e faturamento de € 63,707 bilhões. A fabricante prevê entregar em 2019 entre 880 e 890 aviões comerciais, segundo um comunicado.

A companhia aeronáutica europeia ainda anunciou uma reserva € 436 milhões relacionada ao programa da aeronave de transporte militar A400M.

"Apesar de 2018 ter nos proporcionado uma série de desafios, cumprimos nossos compromissos alcançando uma rentabilidade recorde graças a um sólido rendimento operacional, em especial no quarto trimestre", afirmou Enders. "Contando com uma lista de pedidos de cerca de 7,6 mil aeronaves, nos propomos a continuar melhorando ainda mais a produção de aviões." / AFP e Reuters

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