Airbus entrega primeiro A380 para Singapore Airlines

Entrega do superjumbo, com quase dois anos de atraso, é ofuscada por controvérsia com papéis

FABIANA HOLTZ, Agencia Estado

15 de outubro de 2007 | 11h56

A Airbus finalmente entregou o primeiro superjumbo A380 para a Singapore Airlines - quase dois anos depois do previsto inicialmente, em cerimônia realizada nesta segunda-feira, 15, na sede da fabricante de aviões em Toulouse, na França.   A controvérsia em torno da transação com os papéis de sua controladora, a European Aeronautic Defence & Space Co. (EADS), antes do anúncio de problemas na produção do A380, porém, ofuscou o que poderia ser considerado um marco para a indústria aeronáutica européia.   A ausência de membros do governo no evento, alguns cujos nomes têm sido mencionados na investigação sobre uso de informação privilegiada, foi destacada pela imprensa internacional.   No início do mês, um relatório preliminar da Autorité des Marchés Financiers (AMF, o equivalente à CVM no Brasil) indicou que executivos da EADS venderam ações e exerceram opção de ações depois de serem informados com antecedência sobre atrasos significativos na produção do superjumbo. O governo francês é o principal acionista da EADS, com uma participação de 15%. Segundo o diário francês Le Figaro, o Estado foi alertado com antecedência.   No momento, a autoridade reguladora investiga a venda de ações realizada por 21 executivos do grupo entre novembro de 2005 e março de 2006. Os problemas ligados ao A380 e A350 vieram a público em junho do ano passado, provocando uma queda de 26% nas ações da EADS em um dia.   Esse será o único A380 entregue em 2007. A Airbus tem programado a entrega de outras 13 unidades em 2008 e 25 em 2009, além de elevar sua média de produção para 45 ao ano em 2010 - mas a atual agenda já começa a parecer apertada.   O executivo-chefe (CEO) da Airbus, Thomas Enders, reconhece que a primeira entrega não representa necessariamente o fim dos problemas com o modelo - um programa de 11 bilhões de euros que tem sido prejudicado por atrasos e aumento de custos. Em conversa com jornalistas, Enders afirmou que agora o desafio é aumentar o ritmo produção do A380, que é altamente complexo, utilizando novas técnicas industriais e materiais.   Os atrasos no lançamento e a depreciação do seu valor em dólar forçou o grupo a implementar um plano de reorganização industrial que prevê o corte de 10 mil funcionários e a separação de sete de suas instalações de produção na França, Alemanha e Reino Unido, na tentativa de distribuir os custos e riscos com seu desenvolvimento.   Ao mesmo tempo, houve uma ampla movimentação administrativa dentro da Airbus e da EADS, enquanto o chairman da EADS, Louis Gallois, que foi substituído por Enders na Airbus, tenta quebrar barreiras nacionais e rivalidades dentro das companhias. As informações são da Dow Jones.

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