AP Photo/Kamran Jebreili
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Airbus fecha um único contrato para vender 430 aeronaves por US$ 49 bi

Negócio foi fechado durante o Dubai Air Show, e distribuirá as aeronaves para companhias de baixo custo associadas à empresa Indigo Partners

Jon Grambell, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2017 | 20h13

A Airbus assinou um contrato de US$ 49,5 bilhões nesta quarta-feira, 15, para a venda de 430 aviões à empresa de investimentos privados baseada em Phoenix que possui a Frontier Airlines, proporcionando à empresa aeroespacial europeia o maior negócio já feito no Dubai Air Show.

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Enquanto isso, a Boeing  assinava contrato com a empresa de transporte aéreo de baixo custo FlyDubai para fornecer 225 Boeings 737 MAX – negócio avaliado em US$ 27 bilhões. A feira aérea bianual encerra-se nesta quinta-feira.

“Foi lá para o alto”,  disse o analista de transporte aéreo John Strickland, da JLS Consulting. “Isso mostra mais uma vez a importância dessa parte do mundo para os fabricantes de grandes aviões.”

O contrato da Airbus com a Indigo Partners distribuirá 273 aviões A320neos e 157 A321neos entre a Frontier, baseada em Denver, a JetSMART, do Chile, a Volaris, do México, e a Wizz Air, da Hungria, todas empresas aéreas operando tarifas de baixíssimo custo e associadas à Indigo.   

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Os A320neos e os A321neos são aviões de duas turbinas e fuselagem estreita, populares entre as empresas aéreas por seu baixo consumo de combustível.

O surpreendente anúncio foi feito após a Airbus passar por uma situação embaraçosa no domingo. Ela acreditava que havia fechado um grande negócio com e empresa aérea estatal dos Emirados para a venda de Jumbos A380 doble-decker, mas logo em seguida viu a Boeing levar o negócio e assinar com a aérea dos Emirados um contrato de US$ 15,1 bilhões.

“Só para esclarecer: esta não é uma conferência de imprensa do A380”, brincou John Lehay, chefe de vendas da Airbus, no início do anúncio. Cada A320neo sai por US$ 108,4 milhões, enquanto o A321neo sai por US$ 127 milhões. Empresas aéreas e fabricantes negociam preços mais baixos em negócios grandes como esses, o que o sócio gerente da Indigo, Bill Franke, se apressou em enfatizar.

“O objetivo deles é vender aviões pelo maior preço possível e o nosso é comprar pelo menor. Conheço Lehary há 25 anos. Às vezes ele ganha, às vezes ganho eu.” Quando perguntaram se ele havia ganho essa rodada, respondeu: “Essa é uma ótima pergunta”.

Antes, a maior venda da Airbus havia sido em agosto de 2015, quando vendeu 250 A320neos para aerolínea indiana IndiGo, negócio estimado em US$ 26 bilhões pelos preços de tabela. A IndiGo e a Indigo Partners são empresas separadas, com administrações separadas. 

As ações da Airbus subiram após o anúncio, fechando em Paris a € 85,58, com alta de 2,4%.

Franke é pioneiro nos voos com tíquetes de baixo custo, mas com taxas altas, que se espalharam pelo mundo e estão crescendo nos Estados Unidos. A modalidade oferece tarifas básicas baixas, cobrando, no entanto, por bagagem de mão, lugares definidos e outros extras. Isso vem provocando grande volume de queixas de usuários contra a Frontier.

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O presidente Donald Trump foi lembrado na conversa de Franke com jornalistas, quando o executivo disse que o líder americano ficaria feliz em saber que os A321neos comprados pela Indigo terão a fase final de montagem na fábrica da Airbus em Mobile, Atlanta.

Pouco depois, a FlyDubai e a Boeing Co., baseada em Chicago, anunciaram seu contrato de US$ 27 bilhões. A FlyDubai disse que os aviões elevarão sua frota de transporte de baixo custo para mais de 320 unidades. A FlyDubai começou a compartilhar voos com a Emirates. Ambas pertencem ao governo de Dubai.

O Boeing 737 MAX 10, de duas turbinas e fuselagem estreita, pode levar 230 passaageiros. Seu preço de tabela é de US$ 124 milhões. Os aviões complementarão a frota da FlyDubai de Boeings 737. “O dia de hoje abre o próximo capítulo da história de sucessos da FlyDubai”, disse o presidente da empresa, Gahith al-Ghaith.

Até quarta-feira, o maior negócio no atual Dubai Air Show fora fechado no domingo, quando a Emirates comprou 40 Boeings 787 Dreamliners por US$ 15,1 bilhões. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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