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Ajuda à Argentina será 'na medida do possível', diz Amorim

Segundo ministro das Relações Exteriores, País precisa primeiro tratar de seu próprio abastecimento

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo e Marina Guimarães, da AE,

21 de fevereiro de 2008 | 17h10

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou, nesta quinta-feira, 21, em entrevista na embaixada brasileira em Buenos Aires que o governo brasileiro "nunca disse que não vai ajudar a Argentina", mas advertiu que "temos primeiro que tratar do nosso abastecimento e vamos ajudar na medida do possível".  "Não adianta cobrir um santo e descobrir outro. Não sabemos como será o inverno na Argentina", disse o chanceler, admitindo que o Brasil pode ajudar a Argentina com outras fontes de energia, a exemplo do que ocorreu no ano passado. Amorim lembrou que o então presidente Nestor Kirchner pediu ao Brasil 4 milhões de metros cúbicos por dia e o Brasil cedeu algo semelhante em energia elétrica. O ministro insistiu que o Brasil "não vai tomar uma posição que implique em risco de apagão". Segundo ele, "o Brasil não pode para evitar um racionamento em um país (Argentina) e criar racionamento em outro". Amorim disse o Brasil tem toda boa vontade para ajudar a Argentina mas de antemão não pode se comprometer com uma certa quantidade de gás. "Isso é muito diferente de renunciar direitos contratuais", afirmou referindo-se ao contrato assinado entre Brasil e Bolívia para fornecimento de gás. Questionado sobre as pressões da Argentina para que a Petrobras ceda entre 2 a 3 milhões de metros cúbicos diários, o ministro respondeu que pressões sempre existem, inclusive entre países aliados. "Não há relação no mundo que não exista pressão, mas a gente vai discutir e chegar a um consenso", disse. Nesta quinta pela manhã, uma fonte do Ministério do Planejamento na Argentina disse à Agência Estado que a Petrobras, como importadora de gás do Brasil, poderá reenviar à Argentina entre 2 e 3 milhões de gás por dia. Caso isso não ocorra, a Argentina poderá rever o volume de gás utilizado pela Petrobras em suas petroquímicas no País, dando a entender que a Petrobras como grande consumidora de gás em seu país sofreria com racionamento do combustível. Usina Amorim disse também que o Brasil quer acelerar a construção de usina de energia elétrica Garabi, no Rio Grande dos Sul, que atenderia os dois países e ajudaria a desafogar o abastecimento de energia. "É nosso desejo acelerar Garabi. Haverá uma referência forte no documento sobre o modelo da usina", disse o ministro, referindo-se aos vários acordos que serão assinados entre Brasil e Argentina nos encontros bilaterais entre os presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner.  Sobre o encontro no sábado entre Lula, Kirchner e o presidente da Bolívia, Evo Morales, o chanceler comentou que é um bom momento para entendimentos entre os três países. "Quanto mais conversarmos melhor", disse ele, descartando que possa ocorrer uma saia justa no encontro, já que o Brasil quer que a Bolívia assegure os 30 milhões de metros cúbicos de gás enquanto a Argentina pressiona por outra quantidade de gás para ajudar no abastecimento do país. Os acordos que serão assinados com a Argentina são nas áreas espacial, militar e nuclear. Moeda única O ministro disse ainda que estão bastante avançadas as medidas que visam a eliminação do dólar nas transações comerciais entre Brasil e Argentina e a utilização do peso e do real como moedas nessas operações. De acordo com o ministro, a expectativa é de que em breve sejam realizados os primeiros testes. Ele demonstrou a expectativa de que o novo padrão possa entrar em vigor até o meio do ano. O ministro revelou ainda que as operações serão limitadas a um determinado valor que ele não quis revelar. "É o primeiro passo para se chegar a uma moeda comum (no Mercosul)", declarou. Amorim disse que essa nova operacionalidade vai ajudar boa parte do comércio facilitando principalmente as transações das pequenas e médias empresas, reduzindo os custos e simplificando as operações.

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