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Ajuda à Argentina vai evitar contágio, diz Ruckauf

O chanceler Carlos Ruckauf afirmou, nesta quinta-feira, que, se o Fundo Monetário Internacional (FMI) conceder uma ajuda financeira para a Argentina, pode ser evitado um eventual contágio de outros países da região. Segundo Ruckauf, a Argentina precisa do FMI ?uma solução razoável e racional?.As declarações do chanceler ocorreram no dia seguinte à divulgação de um relatório do FMI no qual se alertava para o risco de contágio da crise argentina sobre outras economias emergentes. O chanceler argentino mostrou-se resignado acerca da rigorosa análise que o FMI está fazendo da situação da economia argentina antes de pensar em conceder uma ajuda financeira, afirmando que é uma atitude ?adequada?, já que ?é o que costuma acontecer com qualquer cidadão que solicita um crédito. Antes de dar-lhe o crédito, pedem certas garantias e condições?.Setores cautelososRuckauf disse que o país conta com o apoio da secretaria de Estado dos Estados Unidos, mas admitiu que existem ?setores cautelosos?. O chanceler também afirmou que a Argentina estaria conseguindo o apoio dos países do Grupo dos Sete (G-7) para convencer o FMI. Ruckauf mostrou-se otimista sobre o Mercosul e disse que atualmente o bloco comercial possui melhores chances do que no passado.O chanceler também elogiou o presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmando que é um ?homem-chave na história do continente?. No entanto, o chanceler preferiu não comentar o andamento da campanha eleitoral no Brasil, afirmando que isso seria intrometer-se na política interna de outro país.ConfusãoO chanceler também cometeu uma confusão quando, ao se referir ao presidente do país, disse ?Carlos Menem? (presidente entre 1989 e 1999, do qual Ruckauf foi seu vice), e não ?Eduardo Duhalde?. Ruckauf explicou seu ato falho afirmando que ?quem foi rei, majestade fica?.O chanceler Ruckauf, por temer os costumeiros protestos populares contra integrantes do governo ? e políticos de forma geral ? estaria preferindo não percorrer a pé os 40 metros que separam a porta do edifício administrativo da Chancelaria do Palácio San Martín, onde está sua sala, atravessando somente a rua Esmeralda. Para evitar ter contato com o povo, Ruckauf estaria fazendo o trajeto em carro, o que implicaria dar uma volta de cinco quarteirões. O chanceler disse ao Estado que essas versões eram infundadas.RucucuNo entanto, fontes da Chancelaria sustentaram que Ruckauf (chamado de ?Rucucu? pelos amigos), estaria também evitando aparecer em público no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires. Por este motivo, cada vez que precisa viajar ao exterior, vai até São Paulo em um avião particular e dali parte para seus destinos nos EUA ou na Europa.Recentemente, um grupo de passageiros argentinos em um vôo internacional percebeu que Ruckauf era um dos passageiros e começou a xingá-lo. O chanceler, sem seguir a rigorosa etiqueta do San Martín, exibiu aos ofensores o dedo médio em riste a modo de resposta.Leia o especial

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