Ajuda à Grécia demora e derruba bolsas

Nervosismo foi acentuado pela indefinição da Alemanha em liberar recursos e pelo rebaixamento das notas de Grécia e de Portugal pela S&P

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

A inércia da União Europeia para debelar a crise na Grécia está causando o contágio da instabilidade em toda a região mediterrânea. Ontem, os mercados financeiros do bloco desabaram por causa da incerteza sobre a liberação de recursos pela Alemanha, que deveria participar do empréstimo de ? 30 bilhões dos países da zona do euro a Atenas.

O nervosismo foi acentuado pelo rebaixamento dos títulos da dívida da Grécia e de Portugal pela agência Standard & Poor"s.

A situação de calamidade no sul da Europa ficou mais clara ontem, quando o ministro das Finanças da Grécia, Georges Papaconstantinou, admitiu que seu país não tem mais condições de buscar empréstimos no mercado privado, onde o ágio pelas dívidas de longo prazo, com validade de 10 anos, chega a 9,5%, e pelas de curto prazo, com vencimento em 2 anos, a 15%. Papaconstantinou, porém, negou que seu país esteja planejando renegociar suas dívidas - o último passo antes de uma moratória.

"Está fora de questão. Estou sendo categórico." A advertência foi feita porque a Grécia tem pressa em receber o primeiro depósito dos ? 45 bilhões previstos para este ano no socorro conjunto da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Até 19 de maio, Atenas precisa honrar quase ? 9 bilhões - parte de quase ? 24 bilhões que vencem ainda em 2010.

A pressa da Grécia, porém, não reduz a inflexibilidade da chanceler alemã Angela Merkel, que vem insistindo na adoção de novos cortes orçamentários. Na segunda-feira, ela voltou a condicionar a participação da Alemanha. Pelos critérios da UE, o país será o maior contribuinte, com ? 8,4 bilhões, à frente da França, com ? 6,3 bilhões. "A Alemanha vai ajudar se as condições forem preenchidas", disse Merkel.

Em razão das divergências políticas, os chefes de Estado e de governo já cogitaram ontem realizar uma reunião de cúpula em 10 de maio. O encontro, contudo, ainda não foi confirmado.

Nota baixa. A insegurança causada pela indefinição foi agravada pelo anúncio de que a agência S&P havia rebaixado as notas da Grécia e de Portugal. Para a S&P, a Grécia perdeu o grau de investimento ao ter seu rating soberano de longo e curto prazos rebaixado de BBB+ para BB+ e de A-2 para B. A nova situação torna seus títulos "junk bonds". Marko Mrsnik, analista da agência, ressalvou à Reuters que, "no nível atual da nota, o risco de default continua muito baixo".

A declaração não aliviou os mercados porque a S&P também rebaixou a nota dos títulos da dívida de Portugal, de A+ para A-, indicando a tendência de contágio na Península Ibérica. Na Europa, Portugal já é visto como a próxima vítima. "Apesar de ter um plano de rigor com mais credibilidade que a Grécia, Portugal viu suas dívidas afetadas pela crise grega", disse Jesus Castillo, do banco Natixis, de Paris. "Tornou-se o novo alvo."

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