Ajuda à Grécia deve impedir moratória, afirma ministro

Alemanha e França fazem exigências para liberar os 45 bilhões prometidos pela União Europeia e o FMI

L.X. e Reuters, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2010 | 00h00

WASHINGTON

O ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, disse ontem que o auxílio financeiro prometido ao seu país chegaria rápido o suficiente para impedir a moratória da dívida, em meio a sinais de que o pacote de resgate de 45 bilhões terá de ser expandido.

Papaconstantinou disse que as negociações sobre o resgate com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os colegas europeus estão indo bem, e que está confiante de que a Grécia garantirá a ajuda em maio para financiar a exorbitante dívida sem nenhum problema.

Ele amenizou temores de que a Alemanha pode ficar no caminho do acordo de resgate, algo amplamente impopular no país que é a maior economia da Europa. Para o ministro grego, mesmo que haja atrasos na aprovação parlamentar em alguns países, o apoio do FMI poderá ser combinado com empréstimos-ponte de outros países que já aprovaram o acordo. Acrescentou que os financiamentos da Europa e do FMI serão liberados simultaneamente. O FMI deve fornecer um terço da assistência.

Papaconstantinou também fez um alerta aos investidores que têm apostado na moratória da dívida do país: "Tudo que eu posso dizer é que eles perderão suas camisas."

A Grécia se curvou à intensa pressão dos mercados financeiros na sexta-feira, solicitando fundos à União Europeia (UE) e ao FMI no que seria o primeiro resgate financeiro dos 11 anos de existência do bloco europeu.

O país mergulhado em dívidas anunciou medidas de austeridade de bilhões de euros, incluindo alta de impostos e corte de salários do setor público, mas agora precisa adotar outras ações para satisfazer a UE e o FMI e garantir a entrada dos recursos.

Pesos pesados na comunidade europeia, Alemanha e França prometeram ontem endurecer com a Grécia em troca de apoio financeiro, no momento em que se questiona se o pacote de 45 bilhões será suficiente para evitar um calote.

O ministro da Fazenda alemão, Wolfgang Schaeuble, alertou a Grécia de que uma reestruturação severa de sua economia é "inevitável e um absoluto pré-requisito" para Berlim e a UE aprovarem a ajuda solicitada.

"O fato de que nem a UE nem o governo alemão decidiram (enviar ajuda) mostra que a resposta pode ser tanto positiva quanto negativa", disse Schaeuble ao jornal alemão Bild. "Isso depende inteiramente da Grécia levar adiante nos próximos anos a política de poupança severa que iniciou. Deixei isso claro ao ministro da Fazenda grego."

Mantega. Já o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, prometeu a Papaconstantinou apoiar o país. Os dois se reuniram ontem, a pedido do ministro grego, em Washington, onde Mantega participa de reuniões do G-20.

O ministro grego disse, segundo a assessoria de Mantega, que o governo atual recebeu uma herança muito negativa do governo anterior e que o país terá de fazer um ajuste duríssimo para se reequilibrar./

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