Ajuda da China terá contrapartidas, diz 'FT'

O provável envolvimento da China no plano de ajuda financeira à zona do euro dependerá de a Europa satisfazer determinadas condições, disseram dois assessores seniores do governo chinês ao jornal Financial Times.

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h05

A China vai primeiro olhar no que consistiriam as contribuições de outros países, disseram Li Daokui, membro acadêmico do comitê de política monetária do banco central chinês, e Yu Yongding, ex-membro do mesmo comitê, segundo o jornal. Além disso, Pequim deve exigir garantias de segurança a seus investimentos, acrescentaram.

Li disse ainda que a China pode também pedir que a Europa pare de criticar a política de câmbio do governo chinês.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou ontem que a ajuda da China não é necessária para salvar o euro, mas renovou o pedido de integração do país asiático aos mercados mundiais, dizendo ser "essencial" que o yuan participe do sistema global de câmbio. "Se os chineses, que controlam 60% das reservas mundiais de câmbio, decidem comprar euro em vez de dólar, por que deveríamos nos recusar?", questionou Sarkozy. "Nossa independência não será colocada em risco."

O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) anunciou mais cedo que seu executivo-chefe, Klaus Regling, viajaria hoje a Pequim para discutir como a China poderá contribuir.

Para o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a possível contribuição da China para o fundo de resgate é uma consequência lógica dos benefícios colossais que o país asiático recebeu da globalização. "É coerente que países com superávits maiores façam uma contribuição para a estabilidade financeira global porque eles estão se beneficiando", declarou Barroso em entrevista à TV France 24. Barroso rejeitou, no entanto, que a Europa esteja recorrendo a outros países porque não pode suprir as próprias necessidades. "Nós não estamos implorando a ninguém por dinheiro."

Ontem, o presidente francês conversou brevemente por telefone com o colega chinês, Hu Jintao, para informá-lo sobre o pacote de resgate da zona do euro fechado de madrugada em Bruxelas. / COLABOROU CLAUDIA TREVISAN

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.