"be water"

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Ajuda permite retorno ao país de origem

Entidade recebeu 25 mil pedidos em 2008, muitos deles de brasileiros

Andrei Netto e Jamil Chade, GENEBRA e PARIS, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

O diagnóstico do desemprego entre imigrantes também é feito pela Organização Internacional de Migrações (OIM). De acordo com a entidade, 25 mil pessoas pediram ajuda financeira para retornar a seus países em 2008. Muitos perderam tudo e não têm dinheiro sequer para comprar as passagens de volta. Apenas no Reino Unido, Alemanha e Bélgica, o número de imigrantes que buscou a entidade chegou a 10 mil.O programa da OIM possibilitou que a goiana Rosângela Souza voltasse ao Brasil. Ex-moradora da cidade de Athlone, na Irlanda, entre 2006 e 2007 ela percebeu a degradação econômica que estouraria em 2008 no país. "Eu não ganhava o suficiente para justificar minha permanência por lá. Muitos estão agora numa situação ainda pior e estou contente de ter saído antes da crise."A entidade pagou sua passagem de volta e ainda deu recursos para que Rosângela pudesse começar um pequeno negócio. Sem a ajuda, ela teria gasto toda sua poupança apenas pagando o bilhete de volta ao Brasil. "Se eu fosse pagar, ficaria sem nada. Com o dinheiro que recebi, ainda comprei duas máquinas de costura e estou trabalhando", disse a mãe de três crianças.Em Portugal, os estrangeiros em busca de ajuda chegam aos escritórios da organização em números cada vez maiores. Segundo a porta-voz da entidade, Jemini Pandya, são 90 pessoas por mês pedindo ajuda para retornar a seus países. Há um ano, esse número era de apenas 30. Jemini explica que nem todo o crescimento é causado pela turbulência econômica, já que o programa está se expandindo para as zonas rurais de Portugal. Mas admite que encontrar trabalho ficou mais difícil desde a eclosão da crise. Grande parte das pessoas auxiliadas no país é brasileira.Na Espanha, um dos países que mais estimula o retorno dos imigrantes com auxílios financeiros, 1,4 mil estrangeiros conseguiram ajuda da OIM para retornar a seus países. Quase mil eram latino-americanos, inclusive brasileiros.Uma das consequências desses retornos, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), será a queda de remessas às famílias dos emigrantes, que pode chegar a 6% nas remessas de dinheiro internacionais. Além do desemprego e da fiscalização, os imigrantes também são cada vez mais frequentes entre os desabrigados, segundo a Cruz Vermelha. Nas províncias de Córdoba e Jaen, na Espanha, 5 mil imigrantes são obrigados a dormir em ginásios e albergues montados pela entidade no sul todas as noites. A brasileira Raquel Rolnik, relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia, alerta que 180 mil famílias de estrangeiros correm risco de perder suas casas na Espanha em 2009 por causa de dívidas.Além da falta de recursos para voltar e da falta de casas, o desemprego também eleva o número de imigrantes ilegais, que perdem seu vistos de trabalho. O problema levou a OIM a pedir aos governos europeus medidas emergenciais pela regularização desses trabalhadores."Em tempos de crise financeira, o aumento das migrações ilegais é uma possibilidade verdadeira", disse Ryszard Cholewinski, um dos analistas da organização, em entrevista ao jornal francês MidiLibre.FRASESRosângela SouzaGoiana, ex-imigrante na Irlanda"Eu não ganhava o suficiente para justificar a minha permanência por lá. Muitos estão agora numa situação ainda pior e estou contente de ter saído antes da crise""Se eu fosse pagar, ficaria sem nada. Com o dinheiro que recebi, ainda comprei duas máquinas de costura e estou trabalhando"

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