Ajuda supera metade do valor da Globocabo

O aporte financeiro de R$ 1 bilhão anunciado esta semana pelos acionistas da Globocabo corresponde a mais da metade do valor atual da empresa. De acordo com cálculos de três analistas de bancos de investimentos ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, o valor de mercado da Globocabo está em torno de R$ 1,8 bilhão. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eleazar de Carvalho, considerou "muito alta" a avaliação. Nos últimos 12 meses, os papéis da empresa sofreram desvalorização de 58,3% na Bovespa, apenas nos últimos dois meses e meio, a queda foi de 22,2%. De acordo com a participação de cada sócio no negócio, a parte que caberia a cada um no aumento de capital seria bem diferente se fosse adotado o critério da proporcionalidade, tradicionalmente utilizado, segundo analistas de mercado. O BNDES, do bolo de R$ 1,8 bilhão, tinha uma fatia de R$ 86,4 milhões. Entrou no aumento de capital com R$ 284 milhões, mais do que triplo do dinheiro que tem na empresa. Uma participação proporcional equivaleria a R$ 48 milhões. Apesar da significativa desvalorização das ações, alguns analistas acreditam que ainda há como atrair investidores para a emissão programada pela empresa. Mas, para conseguir a atratividade, seria necessário baixar o preço dos papéis, hoje cotados a R$ 0,64, para algo em torno de R$ 0,40. "É importante lembrar que a maior parte dos recursos anunciados como parcela do BNDES não são aporte imediato, mas garantia de injeção de capital caso nenhum outro investidor o faça", disse um analista que, como os demais, pediu para não ser identificado. Dos R$ 284 milhões do banco, R$ 120 milhões entraram como garantia. Investigação A Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel) vai solicitar ao Ministério Público que investigue a operação de aporte de R$ 284 milhões do BNDES na Globo Cabo. Segundo o presidente da Fittel, José Zunga, o pedido de investigação deverá ser entregue na próxima semana ao procurador do Ministério Público no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza. "Estamos estudando o impacto do aporte como incentivo de formação de monopólio, se o banco passa a interferir no futuro da televisão no País com dinheiro para reduzir o rombo de uma empresa", disse Zunga. Ele afirmou que a suspeita é que o dinheiro público tenha sido deslocado para um monopólio privado em serviço de concessão pública, "sendo que o lucro permanece em âmbito privado". O presidente da Fittel disse que preliminarmente é possível afirmar que o aporte do BNDES na Globo Cabo seria suficiente para a construção de 44 mil casas populares. Luiz Francisco disse que, caso a solicitação de investigação lhe seja entregue, vai checar se é da sua área de trabalho e, "se a denúncia for bem fundamentada, teremos de investigar". Ele disse que tem tomado conhecimento do assunto pela imprensa e não tem qualquer opinião a emitir sobre a operação. O procurador sempre esteve à frente de investigações polêmicas, como a denúncia de violação do painel do Senado pelo ex-senador Antônio Carlos Magalhães ou o envolvimento do ex-secretário da Presidência, Eduardo Jorge Caldas Pereira, no desvio de recursos da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo.

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