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Ajuste argentino começa com desafio de recuperar o PIB e domar a inflação

Para economista, maiores problemas a serem enfrentados pelo novo governo, que assume em janeiro, são a inflação alta, o baixo nível das reservas e o câmbio muito valorizado; mesmo assim, acredita que país pode crescer até 5% em 2017

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2015 | 05h00

Em 10 de dezembro, Mauricio Macri toma posse como presidente da Argentina. Ele terá à frente de sua nova equipe econômica, como ministro da Fazenda e Finanças, Alfonso Prat-Gay, prestigiado político que já chefiou o BC argentino e, como ex-executivo do JP Morgan, certamente agrada ao mercado financeiro e aos economistas ortodoxos e liberais.

Apesar do enorme mergulho do kirchnerismo em políticas econômicas populistas, há algum grau de esperança no ajuste econômico argentino e nas chances de que não esbarre em obstáculos quase intransponíveis, como no caso brasileiro. Resta ver se o otimismo se provará ilusório, como também foi o caso do Brasil após o anúncio do ortodoxo Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, no final de 2014.

Juan Carlos Barboza, economista do Itaú Unibanco na Argentina, acha que, depois de um ano de ajuste em 2016, quando o PIB recuará 0,5% (após crescer 0,5% em 2015), a economia do país pode se expandir em até 5% em 2017. Ele vê o PIB potencial argentino em 3%, mas acrescenta que há capacidade ociosa na economia, depois de crescer num ritmo médio de 0,3% a 0,5% nos últimos quatro anos.

Evidentemente, chegar a 2017 não será nada fácil. Barboza lista os principais problemas econômicos argentinos: alta inflação, baixo nível de reservas, câmbio muito valorizado, preços de serviços públicos represados e vedação de acesso aos mercados de capitais.

Troca. A curtíssimo prazo, há um problema incômodo. O novo governo quer substituir o atual presidente do BC argentino, Alejandro Vanoli, cujas visões de economia não estão alinhadas com as da equipe de Prat-Gay, por Federico Sturzenegger, conhecido e respeitado economista, com doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT). O problema é que Macri não pode simplesmente demitir Vanoli – ou o presidente do BC renuncia, ou há todo um procedimento em comissões do Congresso para removê-lo. Como um dos objetivos da nova equipe, no médio prazo, é estabelecer uma real independência do BC, é no mínimo embaraçoso ter de afastar o atual presidente.

O objetivo de Sturzenegger é estabelecer rapidamente um programa monetário crível com um sinal que vai controlar aos poucos a altíssima inflação. Há no horizonte também a questão de resolver as pendências com os credores da dívida externa que não aceitaram a renegociação (conhecidos como holdouts), passo importante para voltar a acessar o mercado internacional de capitais.

Reservas baixas. Um dos problemas mais imediatos, porém, segundo Barboza, é que as reservas líquidas estão próximas de zero. Ele considera provável que o BC desvalorize o peso ainda em dezembro. Não há consenso sobre de quanto seria a depreciação, e o novo governo ainda está discutindo o assunto internamente, mas o Itaú projeta uma alta para 12 pesos por dólar (de 9,7), o que corresponde a 25%. “O risco é que seja ainda maior”, diz.

A ideia não é a de evoluir rapidamente para um câmbio totalmente flutuante, mas permitir a desvalorização da moeda junto com uma alta de juros, para reconstruir as reservas internacionais no curto prazo. Há cerca de US$ 5 bilhões a US$ 8 bilhões de liquidações de soja retidas pelos exportadores, que poderiam ser estimulados a desovar esses dólares com uma taxa de câmbio mais atrativa. Da mesma forma, espera-se atrair dólares entesourados pela população em cofres, e pensa-se numa lei para atrair capitais no exterior, com a devida tributação, nos moldes da repatriação que a equipe econômica brasileira vem tentando.

Com a desvalorização e a correção de preços de serviços públicos, a inflação deve ser alta em 2016, chegando a 33%, segundo Barboza (comparada a 28% em 2015). Ele diz ainda que as estatísticas distorcidas de inflação devem ser corrigidas, e o ajuste fiscal deve ajudar a segurar a inflação.

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