Ajuste cambial fará bem ao Brasil, diz Lula

Presidente diz que Brasil achará seu ponto de equilíbrio e defende uso de moeda local em transações

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

14 Outubro 2008 | 10h55

Ignorando a bolha cambial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o "ajuste do dólar fará bem" para a economia brasileira. Com a crise tendo levado o dólar de R$ 1,56 para R$ 2,34 em uma semana, o próprio governo estima que 200 empresas sofrerão com a diferença em suas operações e há quem alerte que o câmbio possa ser o "subprime" brasileiro.   Leia a íntegra da reportagem na edição desta quarta-feira, 15, de O Estado de S. Paulo "O dólar vai achar seu ponto de equilíbrio conforme a economia encontre seu ponto certo. Essa é a vantagem de um câmbio flexível", disse Lula. Ele, ainda assim, admite que a subida do dólar "foi positiva" para a economia de um modo geral, e principalmente para as exportações. Ele lembrou da época em que era oposição e que pedia que o dólar ficasse num patamar específico. "Isso eu sei que não dá mais", afirmou.   "Vamos continuar com nossas previsões de que exportaremos mais de US$ 200 bilhões neste ano", afirmou. A crise teria afetado a capacidade de crédito para as exportações. Ele ainda destacou que o aumento das importações não devem ser considerados como um problema. "Estamos importando máquinas. Isso significa que estamos comprando para produzir mais", disse. Nos últimos meses, o superávit comercial do Brasil vem caindo e a Organização Mundial do Comércio (OMC) já estima que será dificil sua manutenção se os preços das commodities sofrer uma queda importante.   Fim do Dólar   Lula ainda afirmou que estava na hora de países emergentes pararem de usar o dólar como forma de garantir o intercâmbio entre suas economias. "Por que é que Brasil e Índia precisam usar o dólar? Por que é que não podemos converter as nossas moedas diretamente? Vamos começar a discutir essa possibilidade com vários governos", disse. Ele apontou para o exemplo do Brasil e Argentina, que abriram a possibilidade para que empresas possam usar as moedas dos dois países para pagar por exportaçoes e importações. "Levamos mais de um ano para chegar a isso. Mas vamos agora começar a discutir a possibilidade de levar isso também ao resto do Mercosul, primeiro. Depois, a idéia é de que seja usada em toda a América do Sul", afirmou. Ele não descarta que será um trabalho "difícil". "Mas o nosso Banco Central vai ter de ser usado para ajudar nesse sentido". 

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