Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ajuste estancou a piora das contas públicas, afirma Levy

Segundo o ministro, a política fiscal 'foi mais uma inflexão do que um extraordinário aperto'

Francisco Carlos de Assis e Mário Braga, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 10h53

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou há pouco que o ajuste fiscal "foi mais uma inflexão do que um extraordinário aperto". "Dada a fragilidade da economia e também fatores não-econômicos, o que fizemos foi mudar a direção", disse nesta sexta-feira, em evento promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

Levy defendeu ainda a necessidade de continuidade do ajuste "porque se chegou a uma certa deterioração estrutural, agravada por questão cíclica e não econômica".

Como exemplos da mudança de direção implementada, Levy citou a situação das contas públicas. "Se você olhar o superávit estrutural, vai verificar que balanço estrutural fiscal primário vinha se deteriorando desde 2012 e o que fizemos foi estancar e vamos aos poucos voltar a melhorar", afirmou. Ele pontuou também que havia um extenso déficit na conta corrente que agora está sendo revertido.

O ministro disse ainda que já há ingresso de recursos no País devido à recente mudança no nível cambial. "O investimento estrangeiro começa a melhorar. Pela mudança dos preços dos ativos em dólar, voltou a ser atrativo fazer investimento no Brasil", disse.

"A economia está reequilibrando", resumiu Levy. Segundo ele, a agência de classificação de risco Moody's manteve o grau de investimento do País devido a estas melhoras na economia. "Os principais riscos do começo do ano retrocederam", avaliou. "Não foram totalmente resolvidos, foram reduzidos", disse.

O titular da Fazenda citou como exemplos a situação da Petrobrás, que no início do ano era alvo de dúvidas sobre sua capacidade financeira caso não publicasse seu balanço no prazo estabelecido e fosse obrigada a adiantar o pagamento de bonds. 

"A Petrobrás, que era um risco no começo do ano já abre oportunidades para investimentos", afirmou, fazendo a ressalve que ainda há desafios, uma vez que o mercado de petróleo "mudou drasticamente" com novos níveis de preço.

Citando outra mudança na economia global que pode afetar o País, Levy afirmou que o mercado de bens de consumo na China "está extremamente modesto". "O mundo mudou, nossos principais parceiros mudaram e o Brasil também mudou", disse. Após descrever este ambiente, o ministro disse que o Brasil precisa de uma reengenharia da economia para voltar a crescer.


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