Ajuste gradual da economia pode atrasar retomada da atividade, avalia economista

Para Marcio Salvatto, do Ibmec/MG, possível demora representaria uma dose maior de correção no futuro

Iuri Dantas, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2014 | 05h00

Se a opção da presidente Dilma Rousseff for mesmo por um ajuste gradual da economia, o custo será uma retomada mais lenta da atividade econômica, avalia Márcio Salvatto, economista do Ibmec/MG. 

“Se não sinalizar que vai ter um ajuste mais drástico no curto prazo, o investimento não volta agora.” 

“Com o caminho de gastar mais do que tem, o tomador de poupança é o governo e esse déficit pressiona a taxa de juros para cima. É necessário mudar essa política”, diz o economista.  “Se pressionar a taxa de juros, o serviço da dívida fica maior, o tamanho do ajustamento vai ser maior ainda, vai cortar mais gastos ainda.”

Rafael Cortez, cientista político da Tendências Consultoria, afirma que “os sinais emitidos pelo governo precisam ser expressos em políticas efetivas para evitar a perda de rebaixamento do rating brasileiro”, em referência à nota dada por agências internacionais que influencia os preços de venda de papéis do Tesouro Nacional. 

Na quinta-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também indicou um tipo de ajuste fiscal mais brando que o visto pelo mercado como necessário para que a dívida pública volte a cair e o investimento privado cresça novamente. 

“Para poder preservar o emprego e o salário, o governo precisa manter gastos e investimentos, sempre tem o que cortar do gasto público. Cortar gasto público é que nem cortar cabelo: sempre tem o que cortar”, disse.

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