ANDRE DUSEK/ESTADÃO
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Ajuste não é ‘sexy’, mas necessário, diz Levy

Ministro aproveita evento no Banco Central para cobrar do Congresso que segure os gastos e vote medidas ‘pró-ajuste’

Lorenna Rodrigues, Célia Froufe, Victor Martins, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 22h47

BRASÍLIA - Em uma resposta às pressões do Congresso Nacional por uma agenda “pós-ajuste”, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, saiu nesta quarta-feira em defesa das medidas econômicas adotadas desde que chegou ao governo, na tentativa de passar a mensagem de que toca uma “agenda estrutural” paralela à de corte de despesas e aumento de receitas imediatas.

Em evento sobre cooperativas de crédito, no Banco Central, Levy disse que as medidas tomadas não são “sexy, nem divertidas”, mas necessárias, e que a presidente Dilma Rousseff teve coragem de adotá-las, apesar da rejeição enfrentada. 

“O governo tomou a responsabilidade e assumiu o custo de popularidade para fazer o que é necessário. A presidente assume esse custo sem temor.” 

Levy não quer que o Congresso tire o foco das medidas de ajuste e de redução de gastos. Apesar de o presidente do Senado, Renan Calheiros, já ter sinalizado que vai segurar a votação do projeto que reduz a desoneração, Levy voltou a falar do alto custo para a sociedade do beneficio e da necessidade de revê-los.

A avaliação da Fazenda é que a votação do projeto não deverá mais ter efeitos para este ano, mas há a preocupação de reduzir estes gastos para 2016, de acordo com fontes ouvidas pela Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado

Desonerações. Apesar de saber das dificuldades que terá para aprovar o projeto, o ministro não desistiu de reverter as desonerações e não quer abrir mão da essência das mudanças. “Não adianta discutir a agenda pós-ajuste se o ajuste não estiver completo.” 

Em sua fala, Levy listou uma série de ações que compõem o que ele chama de agenda estrutural, medidas que, apesar do impacto fiscal imediato, melhoram o ambiente econômico também a longo prazo. 

Entram nesse guarda-chuva as mudanças no seguro-desemprego, concessões, corte nos subsídios da tarifa de energia, a agenda de negociações de acordos comerciais, financiamento às exportações.

“Reformas tiveram cunho estrutural importante. Mudanças tinham aspecto de preparar terreno para o crescimento”, afirmou. Para o futuro, ainda na agenda estrutural, o ministro lista principalmente as reformas do ICMS e da PIS/Cofins, dentro de uma estratégia para aumentar a produtividade e eficiência da economia. “É preciso simplificar esses impostos que consomem milhares de horas das empresas. Vale o esforço, conversa e paciência necessários”, completou. 

Além disso, ele voltou a chamar a atenção para o crescimento dos gastos públicos, que chamou de risco para a estabilidade. “Não se pode prescindir do equilíbrio das contas públicas. Tem de ser um equilíbrio onde todos participam e, com isso, se diminui o peso que cada um terá de contribuir”, afirmou.

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