Masao Goto Filho/Estadão
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‘Ajuste vai reduzir renda para o consumo’

De acordo com o economista-chefe do banco Credit Suisse, piora no consumo e no investimento deixam cenário econômico mais difícil para este ano

Entrevista com

Nilson Teixeira

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 05h00

O banco Credit Suisse reduziu ontem a sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. De um crescimento previsto de 0,5%, a instituição passou a prever uma contração de 0,5%. A recessão projetada tem como pano de fundo uma piora no consumo das famílias e no investimento, de acordo com Nilson Teixeira, economista-chefe do banco. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado.

Por que a expectativa de crescimento foi reduzida?

Em novembro do ano passado, quando formulamos a projeção para 2015 e 2016, os dados econômicos a partir de outubro não estavam disponíveis. Naquela época, não só a projeção da produção industrial como de parte do PIB da indústria e dos serviços, que estão, de uma forma direta ou indireta associados ao comportamento da indústria, iriam ser uma variável importante. A nossa expectativa era de um desempenho melhor do que se comprovou. Esses fatores fizeram com que a gente revisasse o crescimento do PIB de 2014, de 0,3% para zero, sobretudo por causa do desempenho do quarto trimestre, que foi pior do que se imaginava. Logo, parte-se de um estágio de uma atividade econômica mais baixa, o que colabora para que nossa projeção de 2015 seja menor.

Qual é o impacto das medidas anunciadas pelo governo no comportamento da economia?

Mudamos a previsão de crescimento do consumo das famílias. Em novembro, a nossa projeção para 2015 era de uma expansão de 0,7% e hoje é de uma alta de 0,3%. O que nós vemos é que as medidas, do lado fiscal, incorporam um aumento de impostos importante. E isso tende a reduzir a renda disponível das famílias. Ademais, o aumento do preço da energia elétrica foi maior do que a gente imaginava e o IOF sobre o crédito para as pessoas físicas também tende a reduzir a renda disponível.

E no investimento?

Existe uma situação na qual o preço da energia elétrica será maior, há uma incerteza no que se refere ao racionamento de energia e de água, o que faz com que muito provavelmente os investimentos tenham uma contração um pouco maior do que imaginávamos anteriormente. Antes, nós tínhamos uma contração da ordem de 3%. Hoje, estamos trabalhando com um recuo de 4,4%.

A queda nos investimentos tem algum impacto da Lava Jato?

Nós não assumimos esse fato, até porque é muito difícil de projetar (o impacto). Porém, é inegável que esse é mais um fator que eleva a incerteza e torna mais difícil a recuperação da confiança dos empresários e consequentemente na recuperação dos investimentos.

Os ajustes do governo vão, de fato, melhorar a economia?

A contração da atividade tende a ser mais concentrada nos dois próximos trimestres. A nossa expectativa é que a contração maior ocorra agora, e a partir de meados deste ano, haja um crescimento mais significativo, e consequentemente o crescimento do próximo ano seja de 1,5%. Ou seja, com uma gradual recuperação da economia.

E a inflação, como deve se comportar neste ano?

A nossa projeção é de 6,7%. Ela não se alterou desde novembro. Os riscos são de haver, por exemplo, uma inflação maior do que imaginávamos antes por causa do aumento da tarifa de energia elétrica, aumento dos impostos de importação que tendem a gerar um preço maior. Hoje, os riscos são de uma previsão para cima dessa projeção.

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