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Ajustes no segmento da construção civil

A indústria da construção civil mostrou, segundo a sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um pequeno aumento da atividade, entre fevereiro e março. Embora não chegue a indicar um reaquecimento, o importante é que, de modo geral, as incorporadoras e construtoras parecem dispor de condições favoráveis para enfrentar uma fase de ajustes, que se segue às sequelas decorrentes de um período de euforia.

O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2012 | 03h06

Projetos imobiliários demandam vários anos até a sua conclusão - o que eleva o risco das empresas e dos compradores. O crescimento acelerado registrado desde 2006 trouxe alguns problemas, como o aumento do preço dos terrenos e as dificuldades de contratar mão de obra, mesmo com elevação real dos salários pagos aos trabalhadores. Agora, construtoras estão sendo acionadas na Justiça por compradores em caso de atraso na entrega dos imóveis, segundo reportagem do jornal Valor. Entre 2010 e 2011, mais que dobrou o montante das ações judiciais contra as construtoras, de R$ 364 milhões para R$ 757 milhões. Os ônus estão previstos em Termo de Ajustamento de Conduta assinado entre o sindicato da habitação (Secovi) e o Ministério Público.

Um período de acomodação da atividade dará às empresas tempo para eliminar os atrasos, entregar os imóveis comprados na planta nos últimos três anos e se estruturar para um novo ciclo de crescimento.

Os dados sobre o crédito - que tem um papel fundamental, permitindo a desova de estoques - mostram que, no primeiro trimestre, o volume de financiamentos com recursos das cadernetas de poupança atingiu R$ 17,6 bilhões, 10% mais do que no mesmo período do ano passado, enquanto o número de unidades financiadas foi muito próximo do de 2011, de cerca de 105 mil.

O levantamento da CNI revela que a indústria da construção civil está operando com cerca de 70% de sua capacidade operacional. Isso indica que, tão logo os problemas passados sejam eliminados, será possível retomar a atividade com mais força. Isso é particularmente importante no caso das faixas de renda média, cujo atendimento propicia maior retorno para as empresas, enquanto as operações com imóveis populares deixam margens mínimas de ganho.

A pesquisa mostra que as construtoras estão otimistas com o segundo semestre. Mas o aumento da atividade não se pode limitar às grandes empresas, pois os pequenos e médios empresários predominam - e enfrentam condições bem mais difíceis de crédito e uso da capacidade.

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