Akzo Nobel investe 90 milhões de euros em nova fábrica no Brasil

Grupo holandês fechou contrato de fornecimento para fábrica de celulose da Eldorado e negocia[br]novas parcerias

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

O grupo holandês Akzo Nobel vai investir 90 milhões (mais de R$ 200 milhões), por meio de seu braço de papel de celulose, a Eka Chemicals, em uma fábrica de produtos químicos em Três Lagoas (MS). A planta foi concebida para atender às necessidades de matéria-prima do projeto Eldorado, unidade de celulose dos controladores do grupo JBS e do empresário Mário Celso Lopes, que deverá ser inaugurada no segundo semestre de 2012 e terá capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas ao ano.

Por trás do investimento anunciado ontem, entretanto, há ambições bem maiores com o mercado brasileiro, de acordo com o diretor-presidente da Eka Chemicals do Brasil, Antônio Carlos Francisco. A meta do grupo Akzo Nobel é dobrar o faturamento da operação brasileira em cinco anos, atingindo a cifra de 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 3,4 bilhões). Boa parte desse crescimento no País está calcada na expansão da produção brasileira de celulose prevista para os próximos anos.

Entre os projetos de celulose em andamento estão as duas fábricas, no Maranhão e no Piauí, anunciadas pela Suzano para 2013 e 2014, respectivamente, e uma possível expansão da unidade da Fibria em Três Lagoas, que ainda depende da reestruturação financeira da empresa para sair do papel. "Estamos em negociação com todas as empresas", diz o executivo.

Francisco afirma que, por conta da vantagem competitiva da produção de celulose de eucalipto, que permite o corte da floresta em ciclos de sete a oito anos, o País se tornou o centro das atenções mundiais do braço de papel e celulose do Akzo Nobel. O crescimento do setor imobiliário e da infraestrutura, diz Francisco, deve ajudar a impulsionar outras áreas do conglomerado no País, entre eles a de tintas, que abriga a Coral, marca mais conhecida do grupo. "Acho que também há boas oportunidades no setor de papel, por causa do aumento da renda. O consumo per capita no Brasil ainda é muito baixo", diz o executivo.

Ilha química. Segundo Francisco, as unidades da Eka produzem a matéria-prima necessária para as indústrias e armazenam e entregam produtos químicos de terceiros às parceiras - conceito batizado de "ilha química" pelo conglomerado. O projeto da Eldorado será a terceira unidade do gênero no País: a Eka mantém "ilhas" nas plantas da Veracel, em Eunápolis (BA), e da unidade da Fibria em Três Lagoas, inaugurada em 2009.

Como as fábricas de celulose previstas para o País serão de grande porte, o diretor-presidente da operação local da Eka diz que seria possível replicar as ilhas químicas ao redor do Brasil sem grandes adaptações.

O executivo afirma que o grupo Akzo Nobel tem a vantagem de desenvolver um "pacote completo" para as necessidades de químicos da indústria de papel e celulose, o que facilita negociações. "Temos tecnologia, a engenharia e somos especializados na operação desse tipo de fábrica", afirma.

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