AL é região mais vulnerável a crises, afirma Fitch

Um novo relatório especial da agência de avaliação de risco Fitch que ranqueia os países pela sua vulnerabilidade ao contágio financeiro afirma que as nações da América Latina estão entre as mais vulneráveis. No relatório, intitulado de "Contágio: quais mercados emergentes são mais vulneráveis?", a Fitch ranqueia 26 economias emergentes, do Brasil à Turquia. Todos os principais países da América Latina que recebem ratings da Fitch ficaram nas categorias "vulnerabilidade alta" ou "vulnerabilidade moderada". Excluindo a Argentina, Brasil e Turquia, três países que têm sido alvo de uma crise financeira por algum tempo e que poderiam de fato ser fontes futuras de contágio, a lista dos dez mais vulneráveis inclui todos os principais países da região (Colômbia, Uruguai, Venezuela, Panamá, México e El Salvador) classificados pela Fitch, exceto Chile e Peru, que têm posições financeiras externas mais confortáveis do que as da maioria de seus vizinhos. Da mesma forma, países não latinos, como Líbano, Tunísia, Ucrânia e Romênia figuram na lista dos dez mais vulneráveis. Países na categoria "vulnerabilidade mínima" ao contágio financeiro são os emergentes asiáticos, onde fortes balanços patrimoniais externos os colocam bem posicionados para absorver choques. Além deles, estão incluídos nessa categoria também a Rússia e a Bulgária, que têm amplas posições de liqüidez externa e modestas necessidades de financiamento doméstico. As expecativas de mercado em torno de uma forte recuperação liderada pelos EUA foram frustradas nos últimos meses, levando a quedas mais acentuadas nos preços dos ativos dos mercados desenvolvidos. A volatilidade de mercado maior e as falências de grandes empresas, além da expectativa de guerra no Iraque, aumentaram a aversão ao risco. Além desse quadro, os investidores em mercados emergentes e idealizadores de políticas também têm de lidar com a contínua crise financeira no Brasil e na Turquia, segundo a agência. ReservasNo relatório, a Fitch avalia a vulnerabilidade dos países emergentes a tais crises olhando para a adequação das reservas internacionais e para os mercados financeiros domésticos, bem como para a suscetibilidade dessas nações a mudanças do sentimento do investidor, tanto no mercado de dívida quanto entre os grandes bancos internacionais. A vulnerabilidade de um país ao contágio é avaliada em comparação com a de seus pares. Para a maioria dos emergentes, a capacidade de absorver choques provenientes dos mercados internacionais de capital é maior que em 1997. Para os países cobertos pelo relatório, as reservas internacionais oficiais de cerca de US$ 732 bilhões excedem os pagamentos de dívida externa (incluindo dívida de curto prazo) de US$ 467 bilhões com vencimento para o próximo ano, ao contrário do que se via em 1997, quando as resevas eram de US$ 480 bilhões e a dívida externa com vencimento em 1998, de US$ 490 bilhões. A distribuição dessas reservas pelos países emergentes não é equilibrada, sendo a posição da Ásia bastante forte e a da América Latina fraca em termos de reservas. Além disso, a predominância de taxas de câmbio flexíveis agora em relação a 1997 em todas as regiões emergentes representa uma proteção contra rápidas perdas de reservas. Os riscos de contágio provenientes do aprofundamento da crise no Brasil são muito maiores do que os que poderiam advir da Turquia. A exposição dos investidores internacionais e dos bancos ao Brasil é muito maior, segundo a Fitch, e os bancos espanhóis e norte-americanos que investiram pasadamente no País também são os maiores credores para o restante da América Latina, mais notavelmente o México.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.