AL precisa ter empresas mundialmente competitivas, diz FMI

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o espanhol Rodrigo de Rato, considera que "um dos problemas da América Latina é que não recebe o investimento internacional que deveria" e também que precisa "ter empresas mundialmente competitivas".Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal espanhol El Mundo, Rato assinala que os processos de nacionalização realizados pelos governantes de alguns países latino-americanos, como a Bolívia, "não se tratam de uma questão ideológica, do ponto de vista do FMI"."Sejam companhias privadas como estatais, se trata de haver em um mercado competitivo, porque isto beneficiaria aos consumidores. E o que beneficia aos consumidores deve ser objetivo público", disse Rato.Por essa razão, no FMI "não somos partidários dos campeõesnacionais nem destas idéias que sacrificam o consumidor para beneficiar um grupo, por mais importante que seja. As experiências no mundo indicam que isso não funciona bem", completou.No que se refere ao setor de energia e matérias-primas, o dirigente da instituição internacional lembrou que aconselha os governos "a tomarem decisões não apenas no curto prazo, mas também a médio prazo. É preciso equilibrar os benefícios a curto prazo com a necessidade de manter os fluxos de investimentos"."Um dos problemas da América Latina é não receber o investimento internacional que deveria. E para isso existem muitas explicações, mas uma delas é que se as pessoas têm a impressão de que a cada três anos se mudam as regras do jogo, ou se ganha muito dinheiro em três anos ou não investe", disse.Segundo Rato, "os governos não podem fazer esses jogos. Eles precisam ter empresas mundialmente competitivas. Se são estatais dá no mesmo, ainda que a experiência indique que não é fácil com as estatais, que tendem a formar monopólios, e isso é ruim".O dirigente também afirmou que é importante que retroceda na estabilidade econômica". "Não é uma questão ideológica, nem partidária, nem geográfica. A estabilidade econômica é a mesma coisa em todos os lugares do mundo. Se há um problema de inflação, deve-se resolvê-lo", completou.

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