AL reage melhor à crise, mas commodities são risco, diz FMI

Relatório do Fundo aponta que, com forte queda nos preços, PIB da região passaria de 3,2% para 0,7%

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

22 de outubro de 2008 | 11h12

Um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional afirma que a América Latina deve reagir melhor à atual crise financeira mundial do que em choques passados. "A região da América Latina e do Caribe deve lidar com os choques globais atuais melhor do que em crises anteriores", afirma o relatório Regional Economic Outlook para o Hemisfério Ocidental, do FMI.  Veja também:Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise   A previsão do FMI é de que a economia da América Latina vai crescer 3,2% em 2009. Apesar da previsão positiva para a região, o FMI alerta que "ainda há uma quantidade de riscos negativos para a região", sobretudo para países que dependem de preços de commodities, que estão em forte queda.  Citando que a economia mundial alcançará o "limiar da recessão em 2009", o Fundo leva em conta o declínio médio dos preços de commodities em recessões passadas, ou seja, trabalha também com a hipótese de queda aguda de 35% em 2009 ante o nível de preços registrado de meados de 2008, para advertir que o PIB da América Latina encolheria para 0,7% em 2009, num caso como este.  "Evidentemente, preços mais baratos de alimentos e de combustíveis trariam alívio bem-vindo para alguns países, em particular os países de baixa renda importadores da América Central e do Caribe", diz o relatório. "Mas para a região como um todo, preços fortes de commodities têm sido um grande fator para expandir as posições fiscal e externa e induzindo o crescimento nos últimos anos."  Defasagem O Fundo alerta também que os efeitos da crise internacional originada nos Estados Unidos chegam à América Latina com uma defasagem. Segundo o relatório, "o pico do efeito ocorre depois de 1,5 ano". De acordo com o FMI, "a turbulência global representa uma confluência de choques negativos para a região compreendida pela América Latina e Caribe: congelamento dos mercados de crédito, demanda externa mais fraca e preços mais baixos de commodities". Neste relatório, o FMI abriu projeções que não estavam no relatório de Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês) divulgado durante o Encontro Anual, em Washington. Segundo as projeções do documento desta terça, como um todo, as economistas da América do Sul devem avançar 5,5% em 2008 e desacelerar para 3,6% em 2009. A América Central deve crescer 4,6% em 2008 e perder fôlego para 4,2% no ano seguinte. A região do Caribe deve crescer 3,7% neste ano e desacelerar para 2,9% em 2009. Para o Brasil, estimativa é de crescimento de 5,2% este ano e de 3,5% em 2009. Para o crescimento mundial, o FMI prevê a maior redução desde as turbulências econômicas que vieram após os ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Segundo o Fundo, a economia mundial vai ficar próxima da estagnação até a metade de 2009. A recuperação será lenta e deve começar apenas após o segundo semestre do ano que vem.  O nível de recessão para a economia mundial é caracterizado pelo FMI como um crescimento de 3% ou abaixo disso. O Fundo acrescenta que "os choques que percorrem o sistema financeiro global são superiores a qualquer um visto nos últimos 70 anos".  Bancos O Fundo Monetário Internacional adverte ainda que estão aumentando as preocupações sobre qualidade de ativos, especialmente para bancos mais fracos na região compreendida pela América Latina e Caribe (LAC, na sigla em inglês). À frente, alguns riscos estão se elevando sobre os prospectos de estabilidade financeira na região. O FMI reconhece que Indicadores de Solidez Financeira (FSI, na sigla em inglês), como o nível de exigência de capital para as instituições financeiras, mostravam "robustez" de bancos até o início do ano. Mas o Fundo reconhece que estes indicadores são de 'retrovisor', ou seja, mostram um quadro de uma situação passada.

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