Alan Greenspan: risco de descontrole fiscal é o maior da história

Ex-presidente do BC dos EUA diz que achar uma solução para o déficit público nunca foi tão urgente

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2009 | 16h54

O ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, disse em uma audiência no Senado que a ameaça à estabilidade fiscal dos EUA é maior do que nunca, principalmente devido ao custo crescente dos gastos públicos com saúde.

 

Greenspan afirmou, em um discurso preparado para o Comitê de Segurança Nacional e de Assuntos do Governo do Senado, que evitar uma situação em que os EUA encontrarão dificuldades para financiar déficits orçamentários sem precedentes é mais urgente agora do que "em qualquer outro momento da nossa história".

 

Ele argumentou que o problema de déficits no Medicare e no Medicaid não pode ser resolvido com o direcionamento de mais dinheiro para esses programas. "É uma crise de recursos físicos", que drenará investimentos e recursos dos trabalhadores norte-americanos em prol do setor médico.

 

"Um dólar da escassa poupança nacional que for empregado no financiamento de um investimento em tecnologia médica é um dólar que não estará disponível para financiar outras tecnologias críticas fora desse setor que melhorariam nosso bem-estar", avaliou.

 

As declarações de Greenspan ocorrem em meio à crescente preocupação no Congresso dos EUA sobre o déficit orçamentário, que atingiu US$ 1,4 trilhão no ano fiscal 2009.

 

Greenspan afirmou que os economistas não sabem qual será o volume de déficit necessário para que os EUA passem a enfrentar problemas para financiar a própria dívida. "Porque não sabemos qual é essa capacidade de endividamento, é essencial que tomemos medidas muito antes de ocorrer qualquer coisa que possa desestabilizar a economia", afirmou.

 

Ele disse que ainda há tempo de os EUA agirem. "Este problema não levará meses ou trimestres; levará anos."

 

Segundo o ex-presidente do Fed, um aumento nos custos do serviço da dívida pesaria sobre o déficit e criaria um ciclo vicioso que levaria a custos ainda mais altos de serviço da dívida. As taxas de juro alta no longo prazo não impulsionariam somente as taxas de hipotecas, mas também pressionariam os preços das ações e restringiriam os investimentos das empresas, acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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