Alavancagem da Petrobrás com capitalização vai a 18%, diz Gabrielli

Pouco mais de uma semana após afirmar que a alavancagem da empresa cairia para 16%, Gabrielli destacou que a oscilação na estimativa se deve aos efeitos do câmbio

André Magnabosco, da Agência Estado,

19 de outubro de 2010 | 18h48

O nível de alavancagem da Petrobrás após a conclusão do processo de capitalização deve cair para 18%, segundo o presidente da companhia, José Sergio Gabrielli. O indicador, medido pela relação entre dívida líquida sobre a soma de dívida líquida e patrimônio líquido, chegou a superar os 34% ao final do segundo trimestre deste ano, aproximando-se do limite de 35% definido como limite pela direção da companhia.

Pouco mais de uma semana após afirmar que a alavancagem da empresa cairia para 16%, Gabrielli destacou que a oscilação na estimativa se deve aos efeitos do câmbio.

Esse número, entretanto, deve apresentar trajetória crescente nos próximos anos, conforme a companhia dê andamento a seu plano de negócios, que prevê aporte de US$ 224 bilhões entre 2010 e 2014. Segundo Gabrielli, ao final desse período a alavancagem da companhia pode alcançar 30% - voltando, portanto, a níveis semelhantes aos do período anterior à capitalização da companhia.

O executivo voltou a afirmar hoje que a estimativa de geração operacional de caixa para o período seria de US$ 155 bilhões. Somado a isso, a companhia conta com o ingresso de caixa de US$ 25 bilhões da capitalização e o volume de recursos em caixa (que era de R$ 24,2 bilhões ao final do primeiro semestre) para fazer frente aos compromissos no período: os US$ 224 bilhões do plano de investimentos e US$ 38 bilhões de dívidas a vencer. Há pouco mais de uma semana, Gabrielli disse que a Petrobrás captaria US$ 60 bilhões no mercado ao longo dos próximos cinco anos.

Cessão onerosa

Gabrielli também revelou que os investimentos que serão feitos pela Petrobrás até 2014 para a exploração dos 5 bilhões de barris de petróleo cedidos pela União no processo de capitalização devem somar abaixo de US$ 10 bilhões. Esse valor já havia sido citado por Gabrielli em reunião com representantes dos bancos que participaram da capitalização, conforme informado pela Agência Estado no mês passado.

O montante será utilizado para a perfuração de um poço em cada uma das sete áreas inclusas no acordo, a realização de até três testes de longa duração e a perfuração de um poço de avaliação para Franco, campo que deverá ter sua produção iniciada em 2014. "Se somar tudo isso à necessidade de se iniciar produção em 2014, você precisa de um FPSO (navio-plataforma) que começa a ser produzido agora. E tem ainda a parcela do segundo FPSO, para entrar em 2015, e a parcela do terceiro FPSO, para entrar em 2016", afirmou.

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