coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Alca atrai pequenas empresas européias ao Brasil

A criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) está longe de ser um realidade, mas por conta dela o Brasil já colhe benefícios. O País é alvo do interesse de pequenas e médias indústrias européias que, por meio de parcerias com empresas locais, querem exportar para a América Latina e os Estados Unidos. "O Brasil reúne todas as condições para se tornar cada vez mais atraente para empresas estrangeiras, como recursos naturais, mão-de-obra e custos baixos de produção e um grande mercado. E também tem tudo para ser uma base de exportações para os outros países que formarão o bloco (Alca)", disse Matt Evans, vice-presidente da BAE Systems, maior empresa européia dos setores aeroespacial e de defesa. As negociações da Alca estão previstas para terminar no fim de 2005.Evans, um dos principais especialistas britânicos em prospecção de novos mercados, está no Brasil há um mês como parte de um programa especial criado pelo governo britânico para alavancar negócios com o Brasil. Ele fica no País até outubro. Na primeira fase de seu trabalho, Evans avalia as forças industriais do Brasil e as regiões alternativas para investimentos diretos estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo. Na próxima semana, ele visita as regiões Norte e Nordeste para avaliar o potencial de investimentos em biotecnologia e turismo. Em seguida, começa a desenvolver estratégias para trazer empresas britânicas ao Brasil.Nesta semana, o ministro italiano de Comércio Exterior, Adolfo Urso, também visitou o Brasil para divulgar o interesse de seu país em trazer empresas de médio e pequeno portes para o País, por meio de parceria entre companhias brasileiras e italianas, tornando o Brasil uma plataforma de exportações italianas para o mercado norte-americano. Os segmentos em que a Itália tem maior interesse são decoração (móveis), moda (têxteis e calçados), máquinas e ferramentas e agroalimentos. "Temos grande experiência em tecnologia e design e em distritos industriais. O Brasil tem recursos para produção que queremos aproveitar", afirmou.Os britânicos estão especialmente interessados nas áreas de componentes para aviação comercial, serviços de manutenção de aeronaves, turismo, agroindústria, varejo e meio-ambiente.Em aviação, eles analisam as possibilidades de parcerias para a produção e suprimento de componentes e para a criação de empresas para manutenção de aviões e aperfeiçomento dos serviços já existentes. São Paulo, em princípio, é a região mais promissora nessa área.Em turismo, o interesse é participar da criação da infra-estrutura turística do Brasil que, apesar do potencial de praias, florestas e arquitetura, ainda é limitada no Brasil. O Reino Unido, ao contrário, tem uma estrutura altamente desenvolvida, mas potencial pequeno de crescimento.No setor de agronegócio, os britânicos querem parcerias que permitam trazer tecnologia para fabricação de máquinas agrícolas, fertilizantes, defensivos agrícolas, processamento de alimentos, engenharia genética e genética de reprodução animal. Nessa área, o Rio Grande do Sul parece ter vantagens sobre outras regiões.Na área de varejo, Evans avalia o cenário para ampliar a participação de grandes cadeias de supermercados britânicas no País. Marcas britânicas de reconhecimento mundial, como Laura Ashley (moda e decoração), Body Shop (cosméticos e perfumaria) e Boot´s (serviços farmacêuticos). Em meio-ambiente, o interesse é no desenvolvimento de projetos nas áreas de controle de poluição, biotecnologia e melhoria de ambientes rurais."No Brasil, diversas empresas têm dificuldades para crescer. Juntando forças, tudo fica mais fácil", afirmou Evans. Segundo ele, o Brasil é um dos mercados mais crescentes do mundo, atrás apenas da China. Os chineses, no entanto, têm problemas nas áreas de direitos humanos e trabalhistas, o que torna o Brasil especialmente atraente para a Grã-Bretanha."Estou bastante impressionado com a indústria brasileira e em como, apesar de todas as crises externas e da Argentina, o Brasil está conseguindo crescer. Na Inglaterra, ainda perdura a impressão do País de dez anos atrás, com instabilidade política e hiperinflação. Minha idéia é mostrar que essas imagens são coisa do passado", afirmou.Evans diz que o Reino Unido quer recuperar o atraso registrado nos últimos anos em relação ao Brasil, quando os britânicos praticamente investiram apenas em suas áreas de influência, como a Índia, o Oriente Médio e a Ásia. No ano passado, por exemplo, os investimentos britânicos no Brasil totalizaram apenas US$ 247 milhões. "Foi muito pouco, mas agora o Brasil é nosso foco". Ele não acredita que uma eventual vitória da oposição altere as novas relações comerciais entre os dois países. "O comércio vai existir em qualquer caso", completou.A BAE, empresa da qual Evans é alto executivo, está disputando por meio do consórcio Gripen (50% da BAE e 50% da sueca Saab) a licitação para a renovação de jatos da FAB, um contrato de US$ 700 milhões. O executivo negou que sua presença no País justamente no período de escolha do fornecedor, esteja relacionada à licitação. "Estou apenas atuando na prospecção de mercado para pequenas e médias empresas", reiterou. Também disse que seu trabalho nada tem a ver com a escolha, pela Anatel, do padrão de TV digital a ser instalado no País. Disputam essa área os Estados Unidos, a União Européia e o Japão.

Agencia Estado,

07 de junho de 2002 | 17h17

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.