Alca com abertura total é ?ilusória?, diz diretor da Cepal

A perspectiva de criação de uma Área de Livre Comércio para as Américas (Alca) com abertura total no prazo previsto, janeiro de 2005, é ?ilusória?. A avaliação é do diretor da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) no país, Renato Baumann. ?Imaginar abertura total é ilusório. Há uma série de pendências. O processo vai ser de intensas negociações nos próximos anos. Mas pode surgir algum tipo de arranjo, um conjunto de concessões considerado como factível, e a isso se chamaria Alca?, disse ao Estado o diretor da Cepal. Baumann exemplifica também que o acordo pode sair com menos produtos do que o previsto ou mesmo deixar de incluir as mercadorias de maior interesse. O economista explicou que algumas das pendências dizem respeito a critérios para adoção de subsídios, imposição de barreiras antidumping, barreiras governamentais. Além disso, o próprio texto da Nafta (Área de Livre Comércio da América do Norte), assim como a Autoridade para Promoção Comercial (TPA, pelas iniciais em inglês), preservam a capacidade do governo norte-americano em adotar políticas comerciais de proteção, informou. Baumann avalia que é possível que a negociação não chegue perto do teto de 85% dos produtos negociados entre os países, conforme já acordado para o âmbito da área, deixando fora mais produtos do que os 15% previstos ou dando a produtos mais sensíveis um horizonte maior de entendimento. ?Isto seria a arte do possível. Não dá para dizer se isto é bom ou ruim?, comentou. Diferenças ? O diretor da Cepal também avaliou que a proposta norte-americana divulgada esta semana ?introduz uma certa turbulência? nas negociações, em razão do tratamento diferenciado a grupos de países. Na prática, países da América Central e Caribe, mais dependentes da economia dos EUA e que já vinham demonstrando maior interesse na Alca, foram mais beneficiados. ?A grande dificuldade até aqui são exatamente os países do Mercosul, que têm menor dependência do mercado dos Estados Unidos e têm interesse em áreas específicas, como agricultura, onde encontram barreiras muito altas?, afirmou. Ainda assim, Baumann não se surpreendeu com a proposta apresentada. ?Prefiro analisar que é uma proposta inicial. E é justamente assim que deve ser considerada. Não era a forma que gostaria que fosse, mas é um início de jogo?, completou o diretor da Cepal no País.

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